When I was a child, my world was enormous.

Everything felt tall, vast, impossible to reach — immense not only in size, but in meaning.
Shelves towered like secret cliffs, holding treasures I could only imagine. The outside world stretched endlessly — fields of possibility, paths waiting to be walked, strangers who might become stories, friendships, or lessons.
Life felt infinite.
Not just physically — but spiritually, mentally, tenderly.
Love flowed toward me in steady rivers from the people who held my small hands. And I loved back with the wholehearted generosity only children possess — freely, instinctively, without calculation.
There was knowledge everywhere.
In books.
In conversations overheard.
In silence.
In mistakes.
Feelings, too, arrived in abundance — some gentle, some overwhelming — all waiting to be learned, expressed, or slowly tamed.
It was nourishment of the soul in its purest form.
And like most children, I believed this world — so vast already — would only grow wider with time.
That growing up meant expansion.
More places.
More people.
More horizons.
I believed I would step beyond my small corner and claim the immensity that surely awaited.
It felt like proof of Goethe’s words:
“I have set my house on nothing, therefore the whole world is mine.”
How magnificent that sounded then — a promise of boundlessness.
But time, as it does, reshaped my understanding.
Because little by little, I learned something quieter… and harder.
Our world does not always grow larger.
Sometimes, it grows smaller.
People drift apart — not only through distance or the quiet divergences of life, but through the deeper partings we cannot bridge.
Some leave gradually.
Others leave all at once.
And some… leave this world entirely.
Some losses come from lifelong bonds.
Others arrive just after a door we thought reopened… closes again.
And alongside the people, the places begin to shift too.
Communities reshape.
Buildings rise where open space once breathed.

Familiar houses change hands, change faces — or disappear altogether.
Construction sounds replace the quiet we once knew.
Views that held sunsets, memories, or simple daily comfort become obstructed, transformed, unrecognizable.
The outer landscape begins to echo the inner one.
Ground moving.
Landmarks vanishing.
Orientation changing.
Places, after all, hold memory the way people do.
So when they change… something inside us rearranges as well.
And when loss arrives — as it inevitably does — it comes like a flood.
Our tears replace the solid ground where our lives once stood so confidently.
The familiar dissolves.
And for a time, we stand surrounded only by water and memory — holding fragments of what once was, and of those who once walked beside us.
It is in those moments that the world feels smallest.
Stripped down.
Reduced to what remains.
Just us — standing in the quiet aftermath.
But floods, as devastating as they are, carry a hidden mercy.
They do not only destroy.
They transform.
Because when the waters recede, the ground they leave behind is more fertile than before.
Richer.
Softer.
Ready.
And so life, in its quiet wisdom, invites us into a new season.
If childhood was the season of receiving — love, knowledge, care, wonder — adulthood slowly becomes the season of giving.
We give patience where once we had urgency.
We give understanding where once we had judgment.
We give presence where once we only knew how to seek attention.
Loss reshapes us.
Grief deepens us.
Time softens our edges.
We become more tolerant.
Less impatient.
More willing to sit beside another’s sorrow without needing to fix it.
And somewhere along the way, within what once felt like a diminished world… we discover something unexpected.
Serenity.
Peace.
Not the loud, dazzling vastness of childhood — but a quieter, steadier spaciousness.
A small corner that holds everything essential.
A place where memories live — not as floods anymore, but as gentle rivers that continue to nourish the ground of who we are.
Where love still circulates — now flowing outward as much as inward.
Where the world may be smaller… but infinitely deeper.
And perhaps that is the true expansion life offers us.
Not outward into endless horizons —
but inward into boundless compassion.
Not a larger world —
but a richer one.

E o Mundo Ficou Mais Pequeno
Quando eu era criança, o meu mundo era enorme.
Tudo parecia alto, vasto, impossível de alcançar — imenso não apenas no tamanho, mas no significado.
As prateleiras erguiam-se como falésias secretas, guardando tesouros que eu só podia imaginar. O mundo lá fora estendia-se sem fim — campos de possibilidades, caminhos por percorrer, pessoas que poderiam tornar-se histórias, amizades ou lições.
A vida parecia infinita.
Não apenas fisicamente — mas espiritualmente, mentalmente, ternamente.
O amor fluía até mim em rios constantes vindos das pessoas que seguravam as minhas pequenas mãos. E eu amava de volta com a generosidade inteira que só as crianças possuem — livremente, instintivamente, sem cálculo.
Havia conhecimento por todo o lado.
Nos livros.
Nas conversas escutadas ao longe.
No silêncio.
Nos erros.

Também os sentimentos chegavam em abundância — alguns suaves, outros avassaladores — todos à espera de serem aprendidos, expressos ou, lentamente, domados.
Era alimento da alma no seu estado mais puro.
E, como a maioria das crianças, eu acreditava que aquele mundo — já tão vasto — só poderia crescer com o tempo.
Que crescer significava expansão.
Mais lugares.
Mais pessoas.
Mais horizontes.
Acreditava que iria para além do meu pequeno canto e reclamar a imensidão que certamente me aguardava.
Parecia a prova das palavras de Goethe:
“Assentei a minha casa sobre o nada, por isso o mundo inteiro é meu.”
Que promessa magnífica aquilo soava então — uma promessa de ausência de limites.
Mas o tempo, como sempre faz, veio redesenhar o meu entendimento.
Porque, pouco a pouco, fui aprendendo algo mais silencioso… e mais difícil.
O nosso mundo nem sempre cresce.
Por vezes, encolhe.
As pessoas afastam-se — não apenas pela distância ou pelas divergências tranquilas da vida, mas pelas partidas mais profundas que não podemos atravessar.
Algumas partem devagar.
Outras partem de repente.
E algumas… partem deste mundo por completo.
Algumas perdas nascem de laços de uma vida inteira.
Outras chegam logo depois de uma porta que pensávamos ter reaberto… voltar a fechar-se.
E, a par das pessoas, também os lugares começam a mudar.
As comunidades transformam-se.
Erguem-se edifícios onde antes o espaço respirava aberto.
Casas familiares mudam de mãos, de rostos — ou desaparecem por completo.
O som das construções substitui o silêncio que conhecíamos.
Vistas que guardavam pores-do-sol, memórias ou simples conforto quotidiano tornam-se obstruídas, transformadas, irreconhecíveis.
A paisagem exterior começa a ecoar a interior.
O chão move-se.
Os marcos desaparecem.
A orientação altera-se.
Os lugares, afinal, guardam memória tal como as pessoas.
E quando eles mudam… algo dentro de nós também se rearranja.
E quando a perda chega, porque inevitavelmente chega, vem como uma inundação.
As nossas lágrimas substituem o chão firme onde as nossas vidas antes assentavam com tanta segurança.
O familiar dissolve-se.
E, durante algum tempo, ficamos rodeados apenas de água e memória, segurando fragmentos do que foi, e daqueles que caminharam ao nosso lado.
É nesses momentos que o mundo parece mais pequeno.
Despido.
Reduzido ao essencial que resta.
Apenas nós, de pé, no silêncio que fica depois.
Mas as inundações, por mais devastadoras que sejam, trazem uma misericórdia escondida.
Não apenas destroem.
Transformam.
Porque quando as águas recuam, o solo que deixam para trás é mais fértil do que antes.
Mais rico.
Mais macio.
Mais pronto.
E assim, na sua sabedoria silenciosa, a vida convida-nos para uma nova estação.
E, se a infância foi a Estação de receber amor, conhecimento, cuidado, encantamento, a vida adulta torna-se lentamente a Estação de dar.
Damos paciência onde antes havia urgência.
Damos compreensão onde antes havia julgamento.
Damos presença onde antes só sabíamos procurar atenção.
A perda molda-nos.
O luto aprofunda-nos.
O tempo suaviza as nossas arestas.
Tornamo-nos mais tolerantes.
Menos impacientes.
Mais disponíveis para nos sentarmos ao lado da dor de alguém, sem sentirmos a necessidade de resolver.
E, algures nesse caminho, dentro do que antes parecia um mundo diminuído… descobrimos algo inesperado.
Serenidade.
Paz.
Não a vastidão ruidosa e deslumbrante da infância, mas uma amplitude mais silenciosa, mais estável.
Um pequeno canto que contém tudo o que é essencial.
Um lugar onde as memórias vivem já não como inundações, mas como rios suaves que continuam a nutrir o solo de quem somos.
Onde o amor ainda circula, agora a fluir tanto para fora como para dentro.
Onde o mundo pode ser mais pequeno… mas infinitamente mais profundo.
E talvez seja essa a verdadeira expansão que a vida nos oferece.
Não para fora, em horizontes sem fim,
mas para dentro, em compaixão sem fronteiras.
Não um mundo maior,
mas um mundo mais rico.



This is a beautiful and thoughtful piece of writing.
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Thank you.
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