By Jack, Investigative Journalist
Special report from our feline correspondent on runaway pigs, philosophical roosters, and the deeper meaning of roasted chicken.
The other day I was taking a nap, enjoying the sunbeams through the window. I simply love sunny winter days. You get the best of both worlds — the warm caress of the sun through the glass, without the frigid temperatures that live outside.

Well, as I was saying, I was napping when suddenly I heard a great commotion from the street. Now, people sometimes think cats are completely asleep when we nap. That is incorrect. We are merely resting with strategic awareness.
So I opened one eye.
And what did I see?
A family of pigs running down the street, followed by two chickens. Or perhaps it was a chicken and a rooster. I was far too appalled to pay attention to such details.
There was one last pig bringing up the rear of the parade. I managed to ask him what all the fuss was about.
“We ran away from the farm!” he shouted while running. “We’re going to see the world!”
I think that is a very good idea. I too would love to see the world. However, running toward it seems a bit excessive.
Of course, I did not say that to him. First, it would have been rude. Second, he was already gone. Pigs are surprisingly fast creatures when they are chasing adventure.
Now, as you know, I am a journalist. A serious one.
And since I was unable to properly interview the pigs or the chickens, I decided to seek informed perspectives. I interviewed my dear friend Francis Bacon, and also a very famous traveler — The Rooster of Barcelos from Portugal, who has seen his fair share of the world.

Francis Bacon explained that life on a farm is not particularly glamorous. The animals are well fed, yes, but they do not live inside a house like we do. They do not have television. And they live under very strict schedules, which for a free spirit like my friend can feel quite limiting.
Also — and this seemed very important to him — they do not have clothes. Francis likes to look sharp.

When I asked him if he would like to see the world, he informed me that he already has a suitcase prepared in case Mommy ever takes him traveling.
I must confess I was not thrilled to hear this. Because if Mommy travels, I must go too. Otherwise I would be left here with Smores for several days, and she would surely become the household dictator.

The Rooster, however, had a different opinion.
He said traveling is somewhat overrated. Every time he traveled, he was placed in boxes and moved from one house to another. In his view, houses are not what matter. Once you have seen one house, you have seen them all.
What matters, he said, is Home.
And Home does not come from walls or roofs.
Home comes from the heart of those who live inside it.
I understood exactly what he meant.
Because it is the heart of those we love that makes a place special.
Before leaving, Mr. Rooster also told me a story about one of his ancestors.
A very famous ancestor, in fact.
The Legend of the Rooster of Barcelos.
Long ago in Portugal, a pilgrim traveling through the town of Barcelos was accused of a crime he did not commit. Even though he was innocent, he was sentenced to be hanged.
Before the execution, he asked to speak with the judge.
At that moment, the judge was sitting down to dinner, about to eat a roasted rooster.
The pilgrim said, “I am innocent. And to prove it, I tell you that when I am hanged, that roasted rooster will stand up and crow.”
The judge laughed, because everyone knows roasted chickens do not crow.
But just as the pilgrim was being led to the gallows, the roasted rooster stood up on the table and crowed loudly.
The judge rushed to the gallows and discovered that the rope had not tightened properly, and the pilgrim was still alive.
Thus the rooster saved an innocent man.

Now, as a journalist, I must say this is a very impressive story.
However, it also raises several questions.
First: perhaps I should try interviewing a roasted chicken.
Second: it seems like quite a waste not to eat a perfectly good roasted chicken.
Especially because whenever Mommy cooks chicken, the whole house smells wonderful. Which strongly suggests that roasted chickens are, in fact, extremely good.
And third: perhaps the real question is…
Why did the chicken go to the courthouse?
To prove he was not guilty.
Personally, if I were that rooster, I would simply have flown away from the table and started a traveling lecture tour.
But then again, if roasted chickens started giving interviews, the world might become a very confusing place.
Which is why I will continue my investigations.
Preferably near the kitchen.
Just in case.
Editorial Comment from Smores, Senior Resident & Quality Control Officer

Jack, darling, I appreciate your investigative enthusiasm.
However, I would like to clarify a few things for the readers.
First: chickens traveling the world sounds exhausting.
Second: interviewing roasted chickens is not journalism.
And third: if Mommy cooks chicken and the house smells wonderful, the correct professional response is not philosophical reflection.
It is to sit politely beside Mommy at the table and wait patiently for a small piece to appear.
That is called strategy.
You may thank me later.
— Smores
Porcos à Solta
No outro dia estava a tirar uma soneca, a aproveitar os raios de sol que entravam pela janela.
Adoro os dias de Inverno com sol. Temos o melhor de dois mundos: o calor suave do sol através do vidro, sem as temperaturas geladas que ficam lá fora.
Pois bem, como eu dizia, estava a dormir quando de repente ouvi uma grande confusão vinda da rua. Agora, as pessoas pensam muitas vezes que os gatos estão completamente a dormir quando fazem uma sesta. Isso não é verdade. Estamos apenas a descansar com consciência estratégica.
Assim, abri um olho.
E o que vejo eu?

Uma família inteira de porcos a correr pela rua, seguida por duas galinhas. Ou talvez fosse uma galinha e um galo. Fiquei demasiado espantado para prestar atenção a esses pormenores.
Havia um último porco a fechar o “desfile”. Ainda consegui perguntar-lhe o que se passava.
“Fugimos da quinta!” gritou ele enquanto corria. “Vamos ver o mundo!”
Acho que é uma excelente ideia. Eu também gostaria muito de ver o mundo. No entanto, correr em direcção a ele parece-me um pouco excessivo.
Claro que não lhe disse isso. Primeiro, seria indelicado. Segundo, ele já tinha desaparecido. Os porcos são surpreendentemente rápidos quando correm atrás da aventura.
Mas, como sabem, eu sou jornalista. Um jornalista sério!
E como não consegui entrevistar devidamente os porcos nem as galinhas, decidi procurar opiniões informadas. Entrevistei o meu querido amigo Francis Bacon, e também um viajante muito famoso — o Galo de Barcelos, de Portugal, que já viu uma boa parte do mundo.
Francis Bacon explicou-me que a vida numa quinta não é propriamente glamorosa. Os animais são bem alimentados, é verdade, mas não vivem dentro de casa como nós. Não têm televisão. E vivem com horários muito rígidos, o que para um espírito livre como o dele pode ser bastante limitador.

Além disso, e isto parece ser muito importante para ele, não têm roupa. Francis gosta de se apresentar com estilo.
Quando lhe perguntei se gostaria de ver o mundo, respondeu-me que já tem uma mala pronta caso a Mamã decida levá-lo numa viagem.
Confesso que não fiquei muito entusiasmado com essa ideia. Porque se a Mamã viajar, eu tenho de ir também. Caso contrário ficaria aqui com a Smores durante vários dias, e ela transformar-se-ia certamente na ditadora da casa.
O Galo, no entanto, tinha outra opinião.
Disse-me que viajar é um pouco sobrevalorizado. Sempre que viajou foi colocado em caixas e transportado de uma casa para outra. Na opinião dele, as casas não são o que importa. Depois de ver uma casa, já viu todas.

O que realmente importa é o Lar.
E o Lar não vem das paredes nem do telhado.
O Lar nasce do coração de quem lá vive.
Compreendi perfeitamente o que ele queria dizer.
Porque é o coração de quem amamos que torna um lugar especial.
Antes de se despedir, o Sr. Galo contou-me também a história de um dos seus antepassados.
Um antepassado muito famoso, aliás.
A Lenda do Galo de Barcelos
Há muitos anos, em Portugal, um peregrino que atravessava a vila de Barcelos foi acusado de um crime que não tinha cometido. Apesar de ser inocente, foi condenado à forca.
Antes da execução, pediu para falar com o juiz.
Naquele momento, o juiz estava sentado à mesa, prestes a jantar um galo assado.
O peregrino disse: “Sou inocente. E para o provar, digo-lhe que quando me enforcarem, esse galo assado há-de levantar-se e cantar.”
O juiz riu-se, porque toda a gente sabe que galos assados não cantam.
Mas no momento em que o peregrino estava a ser levado para a forca, o galo assado levantou-se da mesa e cantou bem alto.
O juiz correu até à forca e descobriu que o nó da corda não tinha apertado devidamente, e que o peregrino ainda estava vivo.
Assim, o galo salvou um homem inocente.

Agora, como jornalista, devo dizer que esta é uma história muito impressionante.
No entanto, levanta também algumas questões.
Primeiro: talvez eu devesse tentar entrevistar um frango assado.
Segundo: parece um enorme desperdício não comer um frango assado perfeitamente bom.
Especialmente porque sempre que a Mamã cozinha frango, a casa inteira fica com um cheiro maravilhoso. O que sugere fortemente que frangos assados são, de facto, extremamente bons.
E terceiro: talvez a verdadeira pergunta seja…
Porque é que a galinha foi ao tribunal?
Para provar que era inocente.
Pessoalmente, se eu fosse aquele galo, teria simplesmente voado para longe da mesa e iniciado uma tournée mundial de palestras.
Mas, pensando bem, se frangos assados começassem a dar entrevistas, o mundo tornar-se-ia um lugar bastante confuso.
Por isso vou continuar as minhas investigações.

De preferência perto da cozinha.
Só para garantir.
Comentário Editorial da Smores, Residente Sénior e Responsável pelo Controlo de Qualidade

Jack, querido, aprecio o teu entusiasmo investigativo.
No entanto, gostaria de esclarecer algumas coisas para os leitores.
Primeiro: galinhas a viajar pelo mundo parece extremamente cansativo.
Segundo: entrevistar frangos assados não é jornalismo.
E terceiro: se a Mamã cozinha frango e a casa fica com um cheiro maravilhoso, a resposta profissional correcta não é reflexão filosófica.
É sentar-se educadamente ao lado da Mamã à mesa e esperar pacientemente que apareça um pequeno pedaço.
Isso chama-se estratégia.
Podes agradecer-me mais tarde.
— Smores

