Mudanças

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Mudar de cidade, de casa, de rumo, de trabalho. Mudar mais uma vez, para regressar a ser quem fui. Pegar em pedaços de vida, fazer as malas e novamente deixar para trás mais amigos, outros locais especiais, a nova zona de conforto. E despedidas, mais despedidas… o preço a pagar por ter criado lacos.

O medo das incertezas do que está para acontecer, não é nada quando comparado com este sentimento de partida, com esta dôr de nos separamos de uma parte muito preciosa de nós, de deixarmos para tras um pedaco do nosso coracao. E doi fundo! Porém significa que a vida, durante aquele tempo, naquele local, com aquelas pessoas, valeu a pena, significa que a vida foi Vida!

Mudanças são necessárias, ajudam-nos a crescer, a perceber o que é importante, a descobrir a nossa força, coragem, resilência. Ajudam-nos a questionar certezas, a fazer novas perguntas, a encontrar respostas. Mudanças permitem-nos encontrar novas perspectivas, aferir coordenadas, alterar direcções.

E é com todo este caleidoscópio de emoções que, com as malas no carro, meto a mudança e parto rumo a uma nova cidade.

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Wanderlust

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Uma mochila, um casaco, um lugar que pode ser um aeroporto, uma estação, um café onde se faz uma paragem durante a viagem.

Não importa qual a razão para a nossa sede de viajar, cada passeio, cada fuga, cada deslocação em trabalho traz consigo enriquecimento pessoal.

Novos usos e costumes, diferentes sabores, cheiros, clima, diferentes sentidos de vida, diferentes caminhos, diferentes comportamentos e com tudo isto aprendemos, a nossa mente expande-se, o coração bate noutro compasso. E nós crescemos, somos maiores, albergamos mais coisas cá dentro, conhecemo-nos melhor agora no final de cada viagem.

Por isso, para mim, todas as viagens que fiz foram boas, umas com mais gargalhadas ou melhores recordações do que outras, mas todas com várias e boas histórias e todas com preciosas lições. Cada uma ajuda-me a ajustar as presilhas da minha mochila, a aferir o meu sextante, a actualizar o meu mapa, fico então mais preparada para viver esta importante viagem sem destino certo a que chamamos Vida.

“Para viajar basta existir”

Fernando Pessoa

A Estrada Percorrida

Honestamente nunca gostei de correr, só que às vezes somos “apanhados” pelos nossos “Nunca” e ganhei o gosto por estas corridas. Primeiro comecei por graça, depois continuei pelo passeio em si e poder andar por sítios normalmente vedados a pedestres e finalmente fiquei pelo desafio de ir mais longe, mais depressa, até descobrir  qual era o meu limite e conseguir ultrapassá-lo…

As boas recordações ficaram umas em forma de fotografia outras gravadas no coração. Não trocaria os risos, as dores musculares, o cansaço, o encanto pelas bonitas paisagens por nada deste mundo!

Sempre gostei de estar preparada para desafios, não os aceito de ânimo leve, por isso aprendi a escolher quais os melhores exercícios para cada músculo, qual a melhor maneira de alongar, o que comer, o que beber antes de cada “passeio”. Consolidei o que sempre acreditei: somos um todo e se é importante treinar os músculos, o cérebro, a nossa mente também tem que estar preparada. Para mim, foi muito importante uma boa noite de sono na noite anterior e a  escolha da música que me iria acompanhar, independentemente de ir com companhia ou não.

O desânimo, o querer parar e voltar para trás, o arrependimento, a força para continuar que descobri em mim, as vitórias interiores que alcancei, a alegria no final de cada prova, enfim, toda aquela montanha-russa de sentimentos que nascem e crescem em nós em momentos extremos, modificaram-me, tornaram-me mais forte porque estou agora mais consciente dos meus limites e aprendi que “Nunca” é uma palavra demasiado grande que deve ser desafiada de vez em quando. É um caminho de devemos escolher percorrer algumas vezes.

 https://dailypost.wordpress.com/photo-challenges/the-road-taken/

 

Throwback Thursday – Os Fritos do Natal

Esta é uma das minha alturas preferidas do ano e nem sequer está calor! Ou sol! Mas as luzes nas ruas ou nas casas, fazem os dias parecer mais brilhantes e o cheiro do pinheiro parece que aconchega a alma e, claro… a comida!

Pode parecer estranho, mas todas estas coisas materiais alimentam a minha alma e agora que estou longe das minhas origens tento colmatar as falhas com algo mais concreto, mais palpável e parece ser certo rodear-me de coisas físicas que me enchem de luz por dentro.

Por instantes a cozinha enche-se de um cheiro doce e eu sou transportada para um tempo, ainda menina, em que a minha avó fazia estes fritos e a aletria, porque os cheiros são parecidos e ajudam a materializar uma doce recordação. E a propósito dos fritos e dos enfeites dourados e das luzes, lembro-me de uma véspera de Natal em que faltou uma àrvore de Natal, daquelas a sério! E uma avó, a minha avó, decidiu ir em busca de um pinheiro para a sua neta.  Tinhamos chegado à véspera de Natal  sem pinheiro e  havia quem defendesse que não precisavamos de uma árvore porque o Natal é algo mais, não se prende com ter ou não ter um pinheiro, o que é verdade, mas, mesmo assim, ela foi à procura de um pinheirinho que se sentisse bem lá em casa e encontrou-o e trouxe-o, não sem esforço, para a sua nova morada.  Aquele pinheiro acabou po ser decorado com tanto amor e tanta alegria, que as suas luzes e os reflexos nos enfeites de vidro ainda hoje brilham dentro do meu coração e o aquecem em tempos mais escuros e frios.

Às vezes há bens materiais que se transformam em riquezas espirituais, porque  contêm em si mesmos tanto Amor, que esse Amor transforma  e dá exemplo e forças e fé  e vontade de fazer os outros felizes como nos fizeram a nós. Com o tempo aprendemos que nem sempre é possível, mas nem por isso deixamos de tentar…

E é assim que um pinheiro de Natal, se transforma num verdadeiro simbolo de Natal!

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É tempo para…

Throwback Thursday

Magic

 

Saborear

wp-image-490976679jpg.jpgAgora está muito na moda “as provas de…” vinhos, queijos, enchidos, chocolates, doces regionais… um sem fim de especialidades para degustar.

Não posso dizer que não gosto destas iniciativas, estaria a faltar à verdade. Experimentar novos sabores. No entanto o termo “degustação” parece-me tão impessoal, fico sempre com a ideia de estar numa corrida com o objectivo de tentar o maior número de amostras, no menor espaço de tempo.  Pelo caminho perde-se o sabor! Perde-se aquele bom costume de saborear, que é algo mais, é algo maior: é deixar que aquela amostra entre em nós pelos sentidos e nos marque indelévelmente… saborear é criar uma recordação sensitiva. E, infelizmente, nesta nossa pressa de querermos mais, perdemos o melhor.

Lembro-me de uma ameixieira em Lisboa, onde eu colhia ameixas brancas maduras, no Verão. Dessas ameixas recordo a côr amarelo-dourada, o cheiro característico a ameixa doce, o sabor intenso a sol e açúcar que dificilmente vou voltar a encontrar.

E nesta corrida por “mais” ,  deixamos passar por nós sons, palavras, cores, imagens, amigos… enfim, nesta correria esquecemo-nos de saborear a Vida…

 Metamorfose

Brilho

reflexo da luz do sol num curso de água e dias quentes de Verão vêm à minha memória.

Umas fotografia contém mais do que uma simples reprodução de uma imagem, contém histórias e não só a do fotógrafo, mas também a de cada pessoa que olha para essa fotografia. 

Talvez seja por isso que dizem que “uma imagem vale por mil palavras”…

Stubborn

I am stubborn, I know I am, but most of the times that is what keeps me on going against the world.
I am persistent too, that is what keeps me going on when things do not work at the first two attempts. Being stubborn helps me after that.
Sometimes I am a silent stubborn, without doing too much fuss I will get there. Other times I am too much stubborn and it gets me nowhere, only because I might want something that will not rise me up, somewhere along the way I have to give up, to let it go and I will feel like it is not worth it, that i have to stop being stubborn, but this feeling only lasts until I face a new problem…