O Ursinho foi à Festa

18-09-04baloes

Era uma vez um Urso que vivia num bosque muito bonito.  O Sol, todos os dias, vinha acordá-lo com o seu braço morno e dourado. “Acorda seu dorminhoco! São horas de levantar! Há muita coisa para fazer!”- costumava dizer-lhe, para o espevitar. Não que o nosso amigo precisasse, era na realidade um ursito muito despachado e acordava sempre bem disposto. Naquele bosque também havia muitas borboletas que, mal ele punha o seu nariz fora da porta, lhe davam os Bons-dias com vozinhas doces e melodiosas. Quase pareciam cantar. As abelhas, a quem ele ia pedir mel (isso de os ursos roubarem mel às abelhas não corresponde à realidade, ou pelo menos não à realidade deste bosque)zumbiam à sua volta contando-lhe o que já tinham feito, provando que  a sua vida é muito atarefada.  Só no Inverno, por causa do frio e da chuva, ficava a dormir dias seguidos, até porque nessa estação o Sol também não é tão diligente… Nesses dias só acordava com a fome; então, ia à sua dispensa buscar um pote de mel e regressava logo para a sua caminha quentinha. Bem, havia outra coisa que o fazia acordar, as visitas dos seus amigos. Sim, que um urso também tem amigos, só que no Inverno muitos deles também estão a hibernar e as visitas não são assim tão frequentes.

O nosso Urso gostava muito de conversar, por isso, se alguém lhe batia à porta, fosse que estação do ano fosse, convidava-o logo a entrar em sua casa e ficavam à conversa pelo serão dentro, sempre acompanhados por um dos seus bolos. Os lanches do Urso eram famosos pelo bosque e redondezas: bolo de mel e passas, bolachas de canela, queques de noz servidos com chá ou com leite e, em dias de festa, o Bolo Especial de Chocolate.

Este era um dia de festa: era o aniversário de uma amiga do Urso. Mas havia um problema, esta amiga morava noutro bosque distante e o nosso ursito não sabia como chegar lá, muito menos com o seu Bolo Especial. E, como os amigos são para as ocasiões, foi pedir conselhos aos seus amigos próximos. As borboletas lembraram-se de lhe construir umas asas com as maiores folhas que encontrassem. Infelizmente, os ursos, mesmo os mais elegantes, são demasiado pesados para conseguirem voar com folhas atadas aos braços e ainda mais com um Bolo Especial de Chocolate. Zás trás! E lá caiu o Urso com o seu Bolo Especial! “Ena!”-exclamaram as formigas-“Hoje temos um festim!” Chegaram todos  à conclusão que o bolo teria de ser deixado para trás. Mesmo que houvesse tempo para fazer outro bolo, o seu peso era demasiado. “Que pena!” – pensou o ursinho- “Já não levo uma prenda para a minha amiga.” As borboletas diziam-lhe: “A tua amiga ficará muito mais triste se tu não apareceres.” E decidiram ir chamar as abelhas. As abelhas são seres muito curiosos e destemidos e conhecem muita coisa que existe no mundo. “Talvez juntando dois ou três balões consigas chegar até ao teu destino.”- zumbiram elas- “Só há um senão, têm que ser as borboletas a irem buscá-los porque eles rebentam de cada vez que nós nos aproximamos.” “Nós vamos! Nós vamos!” E conseguiram encontrar três balões que uns meninos tinham deixado fugir durante um passeio no bosque, com os seus pais. Ataram os balões ao pulso do Urso e, lenta e sauvemente, começou a levantar voo. “Ai! Que os ursos não foram feitos para voar. Isto é muito estranho, ninguém me acompanha, por favor?” – pediu o assustado ursito. “Eu vou contigo até meio do caminho, mas depois estarás por tua conta”-respondeu-lhe uma das borboletas. E lá foram os dois conversando animados. O Urso ia particularmente feliz por ir visitar e festejar o aniversário da sua amiga. Parabéns Amiga!

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O Pombo que queria ser Guia Turístico

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Fotografia de Carla Baptista

O Pombo gostava de olhar para baixo e ver toda aquela azáfama da cidade. As pessoas pareciam sempre estar a correr para algum lado, devia ser muito triste não ter tempo para admirar o sol, as flores, os jardins por onde passavam. Não trocaria nunca aquela carícia do vento por nada deste mundo! Bem, na verdade havia uma coisa que ele ambicionava: ser Guia Turístico!

Desde muito novo ouvia as descrições dos guias turísticos para quem visitava a cidade: a data das construções, a razão da sua construção, o estilo. Com o decorrer do tempo percebeu que o estilo da construção estava relacionado com a forma do edifício, com a desenho das janelas, e das paredes, com o material utilizado e mais: conseguia dizer-se a data da construção e, por vezes, ate quem era o arquitecto! Imagine-se lá o que um monte de pedras poderia contar!

Depois havia sempre a cidade. Os sítios mais bonitos, os lugares históricos (que contavam o que se tinha passado na cidade através dos tempos). O roteiro gastronómico (que mais não era do que os restaurantes onde se comia melhor!), enfim, tantas coisas bonitas e interessantes para quem conhecia! E se ele já conhecia a cidade! Todos os barulhos, o movimento da cidade, por vezes até se convencia que conhecia algumas pessoas, como aquele motorista que todas as madrugadas lhe dava os bons-dias, enquanto deixava cair algumas migalhas do seu pão da manhã. Á tarde poderia encontrá-lo numa esplanada a tomar um café enquanto comia o seu bolo, que iria repartir com todos os pombos que estivessem por perto.

A cada dia aumentava a sua vontade de mostrar a cidade a quem a visitava, a cada dia aumentava a sua vontade de ser guia turístico! “E porque não?”, pensou para consigo. Decidiu meter asas ao caminho e foi saber o que precisava fazer para se tornar naquilo que sempre sonhara ser.

Descobriu que era preciso estudar. A principio, pareceu-lhe uma patetice, afinal ele sabia tanto acerca da sua cidade! Para quê aprender mais?! Mas, pelo sim, pelo não, lá foi espreitar as aulas. E gostou! E viu que apesar de saber muito, ainda havia muita coisa que ele não sabia, muita coisa para aprender. E, como era pombo, não podia inscrever-se na escola, mas podia ir a todas as aulas porque ficaria na janela a ouvir os professores.

Quando terminou o seu curso, todos os alunos já o conheciam e havia quem deixasse a janela entreaberta para que ele ouvisse melhor. Até os professores achavam interessante aquele pombo e o davam como exemplo de como se pode sonhar alto e concretizar esse sonho, se tivermos força de vontade, se tivermos coragem para trabalhar por aquilo que queremos.

Agora, na cidade há um novo guia turístico: o Pombo! E como ele gosta do seu trabalho, põe o seu coração naquilo que faz e quem o escuta, ouve as melhores historias acerca da cidade, conhece os melhores miradouros, visita os locais mais bonitos e interessantes.

Quanto ao Pombo voa alegremente sobre a sua cidade e anseia conhecer novos sítios, como visitante. E sente-se tão feliz que às vezes canta enquanto voa, porque sabe que conseguiu alcançar os seus sonhos, porque sabe que o trabalho árduo é sempre recompensado. E continuar a trabalhar para conseguir resultados é melhor do que desistir à primeira dificuldade! Sabe que porque trabalhou, voa agora mais alto do que os seus amigos pombos.

Voa Pombo! Encanta-te com a tua cidade!

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