Pic-Nic

Já alguma vez foram transportados para dias felizes, simplesmente pelo sabor de algo? Eu já!

Bastou um simples trago de chá gelado com limão para o meu pensamento viajar até um piquenique em criança, numa mata, penso que em Palmela.

As lembranças multiplicam-se a cada sorvo e aí vêm as cores de um sonho inicialmente pintado a preto e branco.

O primeiro a aparecer foi o termos, de xadrez vermelho, onde estava guardado o chá gelado. Depois os rostos, as conversas, as gargalhadas, a mata, as cadeiras, a toalha no chão…  e aquela sensação de querer viver tudo outra vez.

As amizades que partiram vivem nas recordações, e neste momento estou outra vez com pessoas queridas, e neste momento, por causa de um gole de chá gelado na minha sala, ouço a sua voz e relembro conselhos, histórias, gostos e  estou naquela mata, a correr, a rir e a respirar aquele aroma único de pinheiros.

Talvez tenha sido nesse dia que nasceu o meu gosto por piqueniques. Talvez um dia eu faça o meu piquenique de sonho (por enquanto contento-me com os piqueniques que posso fazer…) mas enquanto não acontece, vou sonhando com momentos felizes…

 

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O Galo da Cidade

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O Galo morava num jardim no meio da cidade.

“Este é o lugar mais bonito do mundo!”, dizia o Galo todos os dias de manhã quando acordava. E ficava tão contente por morar naquele jardim que começava a cantar para alegrar as vidas dos que passavam por ele.

Era, sem dúvida, um lindo jardim. Tinha umas árvores frondosas que davam sombra a quem gostava de parar para admirar o lago que ocupava o centro do jardim. Havia flores nos canteiros, pombos, pavões e cisnes a passearem-se pelos caminhos e, claro, havia o Galo que encantava com o seu porte altivo, com as suas penas coloridas e brilhantes e cacarejar melodioso. Este nosso amigo tinha uma outra particularidade que todos admiravam: sabia atravessar a estrada que circundava o parque! Para os humanos era um mistério o facto do Galo saber exactamente o que fazer, para os outros animais que viviam no jardim era uma alegria poderem contar com a sabedoria do Galo.

Tinha aprendido a seguir as regras de trânsito, primeiro por imitação, depois por graça e agora fazia-o porque gostava de fazer tudo com segurança.

Lembrava-se ainda da primeira vez que decidira atravessar a estrada: via as pessoas passarem pelo jardim e seguirem em frente, atravessarem a estrada e desaparecerem. Ficava sempre a imaginar para onde iriam. Que lugar seria aquele para onde todos se dirigiam? Um dia decidiu ir também e avançou sozinho, em frente, decidido, como vira fazer a tanta gente. De repente ouviu um som agudo, seguido de um som mais forte, travões a chiarem, gritos, buzina, o cheiro da borracha queimada das rodas, virou a cabeça e viu o pára-choques de um carro parado em frente ao seu bico! O susto foi tão grande que ele mal se lembra de como chegou a salvo ao outro lado da estrada, talvez tenha conseguido esboçar um pequeno voo, talvez tenha corrido, sabe-se lá! O Galo só se lembra de ter perdido a vontade de explorar o desconhecido e de, depois de se ter acalmado, não saber como fazer para regressar a sua casa, do lado lá da estrada. Respirou fundo muitas vezes, pensou, pensou e encontrou a solução: “Vou esperar que alguém atravesse e eu atravesso também!”. Ainda teve que esperar algum tempo ate chegar alguém que fosse na direcçao do jardim. Mas mal surgiu a oportunidade, colocou-se ao lado da pessoa e quando deu por isso estava de volta a casa. Ao contar a sua aventura, só  ouvia dizer: “O Galo sabe atravessar a rua!”, “O Galo sabe atravessar a rua!”, ninguém conseguia esconder o seu espanto. E ele, vaidoso, decidiu, no dia seguinte, repetir a proeza. Mas desta vez iria ver muito atentamente,  como faziam as pessoas. E lá foi ele!  Percebeu que devia olhar para um lado e para outro antes de atravessar a rua, deveria esperar até não ver carro nenhum, passar sempre sobre as riscas brancas, passadeira, porque os carros iriam parar e percebeu que quando havia uma luz verde virada para ele, poderia atravessar sem perigo.

Este Galo era sem dúvida muito inteligente! Gostava de observar o que se passava a sua volta e aprendia com os seus erros. “O importante não é não cometer erros, o importante é encontrar a maneira certa de fazer as coisas e continuar a faze-las até alcançar a perfeição (ou quase).”, dizia o Galo a quem o queria ouvir.