
Carnaval never wore just three colors in my memories. Yellow, green, and purple? Perhaps purple for Lent, but not for the grand masquerade of my childhood. No, Carnaval was a riot of color—confetti tossed like tiny fireworks, ribbons swirling in the wind, costumes gleaming in every shade the imagination could dream. It was laughter wrapped in fabric, mischief stitched into every seam.
Mardi Gras has its King Cake and Fasnachts, but my Carnaval had tables overflowing with delights—filhoses still warm, their sugary scent curling into the air, trays of finger foods disappearing between bursts of laughter. And, oh, the pranks! Plates filled with “food” that was never meant to be eaten, tricking the unsuspecting with every bite.
Music filled the houses, mingling with the joyful shouts of children dashing through a rain of confetti. No school, just play. No rules—except to revel in the last sweet moments before Lent’s quiet embrace. It was my final chance to dance in my grandmother’s kitchen, savoring her filhoses before Easter’s solemn fast.
And so, I made the most of it. Makeup—bold and bright—because why settle for face paint when you can shine? High heels clicked against the pavement, skirts swayed with newfound freedom. For a few glorious days, I was a grown-up, a princess, a traveler, a movie star, or a character from a dream -— or whatever my imagination chose me to be— draped in the magic of all that was usually forbidden.
Carnaval was joy, wrapped in color and dusted with sugar. A fleeting dream of freedom before the hush of Lent. A childhood spell cast in music, mischief, and the golden glow of fried dough.
O Carnaval nunca vestiu apenas três cores nas minhas memórias. Amarelo, verde e roxo? Talvez roxo para a Quaresma, mas nunca para o grande baile de máscaras da minha infância. Não, o Carnaval era um turbilhão de cores—confettis lançados como pequenos fogos de artifício, fitas a rodopiar ao vento, fantasias a brilhar em todos os tons que a imaginação pudesse sonhar. Era riso tecido em pano, traquinice costurada em cada detalhe.
O Mardi Gras tem o seu King Cake e os Fasnachts, mas o meu Carnaval tinha mesas repletas de iguarias, filhoses ainda mornas, com o seu cheiro açucarado a envolver-nos e tabuleiros de petiscos a desaparecer entre gargalhadas. E, ah, as partidas! Pratos cheios de “comida” que nunca era para comer, enganando os mais incautos a cada dentada.
A música enchia as casas, misturando-se com os gritos alegres das crianças que corriam sob uma chuva de confettis. Não havia escola, só brincadeira. Não havia regras, excepto aproveitar até ao último instante antes da Quaresma. Era a minha última oportunidade de dançar na cozinha da minha avó, saboreando as suas filhoses antes do jejum da Páscoa.
E por isso, fazia valer a pena. Maquilhagem forte e vibrante, porque para quê simples pintura facial quando se pode brilhar? Os saltos altos a ecoar no chão e as saias compridas a ondular. Por uns dia gloriosos, eu era adulta, princesa, viajante, estrela de cinema, ou outra qualquer personagem imaginária, envolta na magia de tudo o que normalmente era proibido.
O Carnaval era alegria, embrulhada em cor e polvilhada de açúcar. Um sonho fugaz de liberdade antes do sussurro da Quaresma. Um feitiço de infância, feito de música, travessuras e do brilho dourado das filhoses.

