It’s curious, isn’t it, how life gently shapes us, like rain carving quiet paths in stone. I used to be a “sunny, blue sky” kind of girl—chasing light, basking in warmth, heart lifted by golden mornings. But somewhere along the winding way, I found a fondness for rainy days and fog-draped skies too. They whisper “cozy” in a voice all their own—soft and low, like a lullaby hummed by the earth itself.
Even the storm has grown beautiful in my eyes. When lightning paints the sky in wild, fleeting strokes—so long as it dances at a respectful distance—I marvel at its bold, electric poetry. And oh, the comfort of heavy rain when the ground is parched! There is something sacred in watching the land drink deeply. I can almost feel the soil sigh in gratitude, each drop a renewal, each gust of wind a gentle turning of the page.
But it’s the tender rains I love most—the ones that fall like a heartbeat. Their rhythm syncs with mine as I sit, cradling a warm cup, candlelight flickering beside me, its glow painting soft shadows on the walls. The scent of wet earth rises, grounding and ancient. Smores curls up before the fire, queenly and content, while Jack finds his place beside me, purring peace beneath my favorite throw. These moments are as radiant, in their quiet way, as any sun-drenched afternoon kissed by a gentle breeze.
Perhaps this is what growing wiser looks like: learning to love each season not in spite of its change, but because of it. We no longer rush toward our favorite chapters—we linger in the lines of every one, collecting the best moments as we go. Not simply waiting for spring’s bloom or summer’s laughter, but finding magic in autumn’s hush and winter’s embrace too.
Because time, once hurried, now feels like a gift unwrapped slowly. And every season—sunny, stormy, or still—is an invitation to be fully, soulfully present.

Dias de Sol, Dias de Chuva e Eu
É curioso, não é? Como a vida nos molda com delicadeza, como a chuva que traça caminhos silenciosos na pedra. Em tempos, fui uma rapariga de “céu azul e sol brilhante” — a correr atrás da luz, a saborear o calor, o coração elevado por manhãs douradas. Mas, algures pelo caminho, aprendi a gostar também dos dias chuvosos e dos céus cobertos de nevoeiro. Têm uma forma muito própria de sussurrar “aconchego” — suave e baixa, como uma canção de embalar murmurada pela própria terra.
Até a tempestade ganhou beleza aos meus olhos. Quando os relâmpagos pintam o céu com traços selvagens e fugazes — desde que dancem a uma distância respeitável — fico maravilhada com a sua poesia elétrica. E há tanto conforto na chuva forte quando a terra está sedenta! Há algo de sagrado em ver o solo beber com avidez. Quase consigo sentir a terra a suspirar de gratidão, cada gota uma renovação, cada rajada de vento a virar suavemente a página.
Mas são as chuvas leves que mais me encantam — aquelas que caem como um coração a bater. O ritmo casa com o meu, enquanto me sento com uma chávena quente entre as mãos, a luz da vela a tremeluzir ao meu lado, lançando sombras suaves pelas paredes. Sobe o cheiro da terra molhada, antigo e reconfortante. A Smores enrosca-se diante da lareira, régia e satisfeita, enquanto o Jack se aconchega junto a mim, ronronando paz debaixo da minha manta preferida. Estes momentos são tão radiantes, à sua maneira serena, como qualquer tarde ensolarada acariciada por uma brisa suave.
Talvez seja isto que significa crescer com sabedoria: aprender a amar cada estação, não apesar da mudança, mas por causa dela. Já não corremos apressados para os nossos capítulos preferidos — demoramo-nos em cada linha, recolhendo os melhores momentos à medida que os vivemos. Não esperamos apenas pelas flores da primavera ou pelas gargalhadas do verão, mas encontramos magia também no silêncio do outono e no abraço do inverno.
Porque o tempo, antes apressado, agora sente-se como um presente que se desembrulha devagar. E cada estação — soalheira, tempestuosa ou serena — é um convite para estarmos presentes, de alma e coração.

