As told by Smores

You know, they keep calling him my brother, but let’s get something straight: he’s not.
I didn’t ask for him. I didn’t request a roommate, a co-star, or a shadow lurking behind a screen door. I had my sunbeams, my favorite chair, my backyard patrols—and now suddenly, I have… Jack.
Jack who dashes around like the house is a racetrack. Jack who sings sad songs through doors at night. Jack who leaves his scent in my corners and sometimes—sometimes!—stares at me like we’re supposed to have something in common.
We don’t.
They say, “Smores, you’re family now.” But I never felt that. Nobody asked me how I felt. I was the one here first. I was the one who curled up on their bed when they cried, who watched the seasons pass from the window ledge, who knew the rhythm of this house before the silence changed.

He showed up in the middle of my life like a misplaced sock. Soft. Quiet. Confused. And then he stayed.
They say he was sad. That he lost someone too. That he needed a place to land. I didn’t mind giving him a space. I’m not cruel. But that doesn’t mean he’s my family.
And now, I have to share her.
That’s the hardest part.
No more lazy mornings just the two of us. Now, there’s always a door between us and a voice coming from the other side. His voice. Calling. Crying. Serenading, like we’re all supposed to swoon over the sound of it. (We don’t.)
No more peaceful evenings on the back porch until bedtime, just me and her and the crickets. Now she says, “I have to go see Jack.” And I’m left watching the moon rise alone.
I didn’t just lose space—I lost time. Our time. My soft moments. My little routines. And no one even warned me.

They keep telling me “be nice,” as if he’s fragile. But I was never treated like I was fragile. No one held the world quieter for me. No one softened their voices or tiptoed around my moods.
They say I have to share now. My food? No. My space? Only in shifts. My sunbeam? Not a chance.
I don’t hate him, really. I just… don’t trust how easily everyone pretends things are fine. Like we can just fold his chapter into my book and call it a happy ending.
Maybe he’s not a bad cat. But that doesn’t make him mine.
And just because they needed me to be someone’s “sister,” doesn’t mean I ever agreed to the role.
So no. He’s not my brother. He’s not my enemy either. He’s just Jack.
And I’m still figuring out where that leaves me.

Não É Meu Irmão, Nem Meu Problema
Contado por Smores
Andam sempre a dizer que ele é meu irmão, mas vamos esclarecer uma coisa: não é!
Eu não o pedi. Não pedi um companheiro de casa, nem uma sombra atrás de uma porta de rede. Tinha os meus raios de sol, a minha cadeira preferida, as rondas no quintal… e agora, de repente, tenho o Jack.
O Jack que corre pela casa como se fosse uma pista de corridas. O Jack que canta baladas tristes do outro lado da porta à noite. O Jack que deixa o cheiro dele nos meus cantos e que, por vezes — por vezes! — fica a olhar para mim como se tivessemos alguma coisa em comum.
Não temos!

“Smores, agora são família.” Mas eu nunca senti isso. Ninguém me perguntou o que eu pensava. Eu que estava aqui desde o início. Eu que me enroscava na cama quando ela chorava, que via as estações passarem da beira da janela, que conhecia o ritmo desta casa antes do silêncio mudar.
Ele apareceu no meio da minha vida como uma meia perdida. Macio. Quieto. Confuso. E depois foi ficando.
Dizem que estava triste. Que também perdeu alguém. Que precisava de um lugar para pousar. Eu não me importei que ele tivesse um canto. Não sou má. Mas isso não faz dele minha família.
E agora, tenho de a partilhar.
Isso é o que mais custa.
Já não há manhãs preguiçosas só nós as duas. Agora, há sempre uma porta entre nós e uma voz do outro lado. A dele. A chamar. A miar. A fazer serenatas, como se todos devêssemos desmaiar com o som. (Não desmaiamos.)
Já não há fins de tarde tranquilos no alpendre até à hora de dormir, só eu, ela e os grilos. Agora ela diz: “Tenho de ir ver o Jack.” E eu fico a ver a lua nascer sozinha.
Não perdi só espaço, perdi tempo. O nosso tempo. Os nossos momentos suaves. Os nossos pequenos rituais. E ninguém me avisou.
Continuam a dizer-me “porta-te bem,” como se ele fosse frágil. Mas a mim nunca trataram como frágil. Ninguém abrandou o mundo para mim. Ninguém sussurrou ou andou em bicos de pés por causa dos meus sentimentos.
Agora tenho de partilhar?! A comida? Não. O espaço? Só por turnos. O meu raio de sol? Nem pensar.
Eu não o odeio, a sério. Só… não confio nesta facilidade com que todos fingem que está tudo bem. Como se pudéssemos simplesmente colar o capítulo dele ao meu livro e chamar-lhe final feliz.
Talvez ele não seja um mau gato. Mas isso não faz dele meu.
E só porque alguém decidiu que eu devia ser “irmã,”
não quer dizer que eu alguma vez tenha concordado com isso.
Portanto, não. Ele não é meu irmão.
Também não é meu inimigo.
É só o Jack.
E eu ainda estou a tentar perceber onde é que eu encaixo.


