Dispatches from Jack, Correspondent for Common Sense
There are many things a cat must endure in this world.

The indignity of an empty food bowl. The unacceptable delay between requesting a door to be opened and having that door opened. The occasional human who believes that working from home means one is available for cuddles at any hour.
And then there is artificial intelligence.
I recently had what the humans might call a perfectly ordinary day. I walked around the house. I climbed some stairs. I performed my usual athletic manoeuvres, including a perfectly respectable jump towards Mommy’s lap.
One stair may have been misjudged.
One landing may not have been my finest work.
But let me put this into perspective. I perform countless movements every day. I walk. I stretch. I jump. I patrol my kingdom. I supervise household operations. I occasionally leap onto furniture with the effortless grace of a creature whose ancestors were worshipped by the ancient Egyptians.

And on two occasions, something wasn’t quite perfect.
Two.
Naturally, Mommy did what any concerned cat guardian does nowadays. She consulted artificial intelligence.
I would like to point out that this was her first mistake.
The machine listened to the report and promptly transformed two isolated incidents into a full-scale veterinary drama. Suddenly, we were discussing emergency appointments, neurological problems, blood clots and a list of alarming possibilities that would have made a Victorian physician reach for the smelling salts.

I was still sitting there, minding my own business.
The machine was practically writing my obituary.
And nobody had even asked me how I was feeling.
Excuse me? I am right here.
I would have liked to clarify that I was not dragging my legs. I was not collapsing. I was not staging a dramatic farewell to the world. I had simply experienced two moments of imperfect choreography.
Even the finest dancers occasionally miss a step. And I, dear friends, am a cat of considerable distinction.
I still can’t believe Mommy thought it was a good idea to consult that artificial intelligence thingy.
First of all, it’s artificial. Need I say more?
You wouldn’t compliment an artificial plant on its beauty and expect it to go on a growing spree, would you? You wouldn’t water a plastic fern and wait for new leaves to appear. So why would anyone expect common sense from something that proudly announces it’s artificial?
Artificial. The word rather gives the game away, if you ask me.
And then there’s the intelligence part.
Well, I have my reservations about that, too.
Meanwhile, the machine doubled down.
More warnings. More precautions. More dramatic possibilities.
Several conversations. Several mishaps.
And I was not responsible for a single one of them.
Mommy almost got me to the ER over two perfectly ordinary mishaps. Almost! Fortunately, I stood my ground. I made my position perfectly clear, and eventually even Smores came around and helped me defend my case.
I was not going to let a machine with questionable intelligence dictate the terms of my medical future.
Honestly, if anyone in this household needed an emergency intervention that day, it wasn’t me.
And if it ever suggests that I need to be rushed to the vet because I happen to sneeze, I shall personally recommend a software update.
Preferably one that includes common sense.
Now, I have no objection to technology. A good machine can be useful. It can help humans organise their lives, answer questions and perhaps even locate the treats they insist they have not misplaced.
But there is a difference between being cautious and behaving as though every imperfect moment is the opening scene of a disaster movie.
If I sneeze, must we summon a medical conference?
If I miss a step, should the house be evacuated?
If I jump onto Mommy’s lap at a slightly unusual angle, will someone please alert the international feline authorities?
There must be limits.
There must also be room for ordinary life, where things occasionally go wrong without the universe immediately preparing its final report.

Mommy knows me. She observes me every day. She notices the little things because she loves me, not because she expects every little thing to become a catastrophe.
And that, I suspect, is something artificial intelligence has yet to understand.
Observation is not panic.
Concern is not catastrophe.
And a cat is allowed to have an off moment without the entire household being placed on high alert.
As for me, I shall continue my daily activities. I shall walk, stretch, jump and supervise. I shall maintain my impeccable standards wherever possible and reserve the right to the occasional imperfect landing.

I shall also keep a close eye on Mommy’s electronic assistant.
Someone in this household needs supervision.
And judging by recent events, it certainly isn’t me.
It is the artificial intelligence.
Yours, in perfectly adequate health and considerable indignation,
Jack
Feline correspondent, domestic observer, occasional acrobat, and the only patient in this story who didn’t require an intervention.
O Gato Estava Bem, Mas Alguém Precisava de Assistência Médica
Relatos de Jack, o correspondente para assuntos de bom senso
Há muitas coisas que um gato tem de suportar neste mundo.
A indignidade de uma taça de comida vazia. A demora inaceitável entre pedir que uma porta seja aberta e vê-la finalmente aberta. O humano que acredita que trabalhar a partir de casa significa estarmos disponíveis para receber mimos a qualquer hora.

E depois há a Inteligência Artificial.
Recentemente, tive aquilo a que os humanos poderiam chamar um dia perfeitamente normal. Andei pela casa. Subi umas escadas. Executei as minhas habituais manobras atléticas, incluindo um salto perfeitamente respeitável em direcção ao colo da Mamã.
Talvez tenha calculado mal um degrau.
Talvez a aterragem não tenha sido das minhas melhores prestações.
Mas deixem-me pôr as coisas em perspetiva. Faço inúmeros movimentos todos os dias. Ando. Espreguiço-me. Salto. Patrulho o meu reino. Supervisiono as operações domésticas. De vez em quando, salto para cima de uma peça de mobiliário com a graça sem esforço de uma criatura cujos antepassados eram adorados pelos antigos egípcios.

E, em duas ocasiões, as coisas não correram na perfeição.
Duas.
Naturalmente, a Mamã fez aquilo que qualquer pessoa preocupada com o seu gato faz hoje em dia. Consultou a Inteligência Artificial.
Gostaria de salientar que esse foi o seu primeiro erro.
A aplicação ouviu o relato e transformou imediatamente dois incidentes isolados num verdadeiro drama veterinário. De repente, estávamos a falar de consultas de urgência, problemas neurológicos, coágulos sanguíneos e uma lista de possibilidades alarmantes que teria levado um médico da era vitoriana a procurar os sais de cheiro.
Eu continuava ali sentado, muito descansado, a tratar da minha vida.
A aplicação estava praticamente a escrever o meu obituário.
E ninguém sequer me tinha perguntado como me sentia.
Com licença?! Estou mesmo aqui!

Gostaria de esclarecer que não estava a arrastar as patas. Não estava a cair para o lado. Não estava a preparar uma despedida dramática deste mundo. Tinha simplesmente protagonizado dois momentos de coreografia imperfeita.
Até os melhores bailarinos falham ocasionalmente um passo. E eu, caros amigos, sou um gato de considerável distinção.
Continuo incrédulo em como a Mamã achou boa ideia consultar aquela coisa da inteligência artificial.
Antes de mais, é artificial. Preciso de dizer mais alguma coisa?
Q
Não elogiariam uma planta artificial pela sua beleza à espera de que ela começasse a crescer desenfreadamente, pois não? Não regariam um feto de plástico à espera que lhe nascessem folhas novas. Então, porque haveria alguém de esperar bom senso de algo que anuncia orgulhosamente ser artificial?
Artificial. A própria palavra denuncia tudo, se querem saber a minha opinião.
E depois existe a parte da inteligência.
Ora, também tenho algumas reservas quanto a isso.
Entretanto, a aplicação insistiu.
Mais avisos. Mais precauções. Mais possibilidades dramáticas.
Várias conversas. Vários percalços.
E eu não tive culpa de nenhum deles.
A Mamã quase me levou às urgências por causa de dois incidentes perfeitamente banais. Quase! Felizmente, mantive-me firme. Deixei bem clara a minha posição e, por fim, até a Smores se juntou a mim e ajudou-me a defender a minha causa.
Não ia permitir que uma máquina de inteligência duvidosa decidisse os termos do meu futuro médico.

Sinceramente, se alguém naquela casa precisava de uma intervenção de emergência naquele dia, não era, definitivamente, eu.
E, se alguma vez sugerir que devo ser levado a correr ao veterinário porque me atrevi a espirrar, recomendarei pessoalmente uma actualização do sistema.
De preferência, uma que inclua bom senso!
Eu não tenho nada contra a tecnologia. Uma boa máquina digital pode ser útil e ajudar os humanos a organizar a vida, responder a perguntas e talvez até encontrar os biscoitos que insistem em dizer que não sabem onde deixaram.
Mas há uma diferença entre ser prudente e comportar-se como se cada pequeno percalço fosse a cena inicial de um filme de catástrofes.
Quer idto dizer que se espirrar, temos de convocar uma conferência médica?!
Se falhar um degrau, a casa deve ser evacuada?!
Se ao saltar para o colo da Mamã num ângulo ligeiramente invulgar, haverá alguém que precise de alertar as autoridades felinas internacionais?!
Tem de haver limites!
Também tem de haver espaço para a vida normal, aquela em que as coisas, por vezes, não correm como previsto sem que o Universo comece imediatamente a preparar o relatório final.
A Mamã conhece-me. Observa-me todos os dias. Repara nas pequenas coisas porque gosta de mim, não porque espera que cada pormenor se transforme numa catástrofe.
E isso, suspeito eu, é algo que a inteligência artificial ainda não compreendeu.
Observar não é entrar em pânico.
Preocupar-se não é anunciar uma catástrofe.
E um gato tem direito a um dia menos inspirado sem que a casa inteira entre em estado de alerta máximo.
Quanto a mim, continuarei com as minhas actividades diárias. Vou andar, espreguiçar-me, saltar e supervisionar. Manterei os meus padrões impecáveis sempre que possível e reservo-me o direito a uma aterragem menos perfeita de vez em quando.

Também passarei a vigiar atentamente o assistente eletrónico da Mamã.
Alguém nesta casa precisa de supervisão.
E, a avaliar pelos acontecimentos recentes, esse alguém não sou eu.
É a inteligência artificial.
Vosso, em saúde perfeitamente adequada e com uma indignação considerável,
Jack
Correspondente felino, observador doméstico, acrobata ocasional e o único paciente desta história que não precisou de uma intervenção.

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