Gosto daquele sentimento de pertença, quando passeio pelos mercados sinto-me em casa

Nas minhas viagens gosto de deambular pelos mercados locais, sejam eles mercados municipais ou mercados biológicos. Primeiro porque vejo em primeira mão os habitantes do local que estou a visitar e depois porque fico a conhecer que tipo de produtos são produzidos naquela região.
Estes mercados são mais do que um local onde se compra e se vendem produtos: são uma fonte de informação e conhecimento. Há sempre alguém pronto a partilhar uma história, uma receita,uma sugestão de um local a visitar que não consta dos guias turísticos. Apenas temos que estar preparados para escutar o que o mercado tem para dizer.

Os meus cinco sentidos ficam activados e prontos para registar todos os detalhes: o que capta primeiro a minha atenção são as cores vívidas, seja em que mercado fôr: normalmente devido aos frutos e outros produtos da terra, como no caso do mercado do Funchal (Ilha da Madeira, Portugal) ou o de Barcelona, Espanha, mas há os que têm flores e velas de cera de abelha como o do Luxemburgo ou aqueles onde as especiarias imperam como o de Marraqueche. O barulho de fundo vem em segundo lugar. O som dos pregões ou das conversas cruzadas e o tilintar do dinheiro. Não há mercado silencioso, não seria bom sinal, significaria um mercado vazio de pessoas e de alma.
Os cheiros misturam-se no ar e o sentido do olfacto conduz-nos pelas ruas do mercado à procura dos ingredientes para a próxima refeição. Na escolha de cada um dos componentes da nossa futura criação gastronómica, fazemos a avaliação do peso, da textura, da consistência e o tacto é essencial. A prova final é o saborear do que veio do mercado, seja um prato cozinhado com Amor ou apenas uma fruta para comer pelo caminho.

«I loved the experience of going to the farmer’s market, seeing where your food is grown, turning into something delicious»
Grace Potter

É apenas uma moda
Talvez o seja, mas não para mim. Passeios nestes locais, transportam-me também para os meus tempo da infância, onde eu e a minha avó iamos às compras ao mercado. Foi com ela que aprendi a escolher os melhores ingredientes, foi com ela que aprendi a escutar o ritmo do mercado e foi com ela que dei os primeiros passos culinários. Mas isso já será para outra conversa.
Wandering Through Markets
I love that feeling of belonging—when I stroll through markets, I feel at home.
When I travel, I love to wander through local markets—whether they’re municipal markets or organic farmers’ markets. First, because I get to see the local people up close, and second, because I learn what kinds of products are grown or made in that region.
These markets are more than just places where goods are bought and sold—they’re sources of knowledge and stories. There’s always someone ready to share a recipe, a tale, or a suggestion of a place to visit that doesn’t appear in the guidebooks. All we need to do is be open to listen to what the market has to say.
All five of my senses switch on and start taking in every detail. What first catches my attention are the vivid colors—no matter which market I’m in. Often it’s the fruit and local produce, like at the market in Funchal (Madeira Island, Portugal) or in Barcelona, Spain. But there are others filled with flowers and beeswax candles, like in Luxembourg, or overflowing with spices, like in Marrakech.
Next comes the background noise—the cries of vendors, snippets of overlapping conversations, the clinking of coins. There’s no such thing as a silent market. That would be a bad sign—a market without people is a market without soul.
The smells swirl through the air, guiding us through the streets of the market in search of the next meal’s ingredients. When choosing each component of our upcoming culinary creation, we consider the weight, the texture, the firmness—touch is essential. The final test is the taste, whether it’s a lovingly cooked dish or simply a piece of fruit eaten on the go.
Just a trend.
Maybe. But not for me.Wandering through markets also takes me back to childhood, when I used to go shopping with my grandmother. She taught me how to pick the best ingredients, how to listen to the rhythm of the market, and with her, I took my very first culinary steps. But that’s a story for another time.

