The Saint Who Belongs to Lisboa: St. Anthony

When I was living in Lisboa, there were two eves that lived deep in my heart. One, of course, was Christmas Eve. The other was today: the Eve of St. Anthony.

Lisboa has three patron saints — each carrying a piece of the city’s soul.
There is St. George, whose name guards the ancient castle towering above Alfama.
There is St. Vincent, forever symbolized by the boat and two crows on Lisboa’s coat of arms — the crows, lovingly called Vicentes, said to have accompanied his relics when they arrived on our shores.
And there is St. Anthony.

St. Anthony was born right here, in Lisboa. As a young man, he once wore the armor of a soldier. But something greater stirred in him — a quiet, relentless calling. He laid down his sword and embraced a life of poverty, simplicity, and devotion. He became a Franciscan friar, walking from village to village, preaching not only words, but hope.

His sermons were legendary, filled with wisdom and kindness. Yet, as the story goes, when hearts grew deaf to his words, he once turned to the fish — believing they might listen better than the people who refused to change. In Lisboa, we still say someone is “talking to the fish” when their words fall unheard.

Although he died far from home, in Padua, Italy — where he is known as St. Anthony of Padua — to us, he is forever St. Anthony of Lisboa. Ours. A son of our city, whose chapel still stands near his birthplace.

Beyond his words, St. Anthony’s heart belonged to the poor and the lost. To this day, people pray to him to find what has gone missing — whether it be an object, a purpose, or even love. It is said he listens to all who call upon him.

And then there are the little pães de Santo António — tiny breads blessed and sold at his chapel every June 13th. Wrapped carefully in cotton cloth, in the dark and kept for a year, they miraculously never spoil. The proceeds, like always, go to the poor — the ones St. Anthony never forgot.

His miracles, his kindness, his love for Lisboa — they live on, carried forward by each generation who gathers beneath these same skies to celebrate him.

Três pequenos Santos da coleção da minha tia — cada um guardando um pedacinho de fé e de ternura. ✨🌿
Three little Saints from my aunt’s collection — each holding a tiny piece of faith and tenderness. ✨🌿

O Santo Que Pertence a Lisboa: Santo António

Quando eu morava em Lisboa, havia duas vésperas que moravam no fundo do meu coração. Uma era, claro, a véspera de Natal. A outra era hoje: a Véspera de Santo António.

Lisboa tem três santos padroeiros — cada um guardando um pedaço da alma da cidade.
Há São Jorge, que dá nome ao castelo que vigia Alfama do alto.
Há São Vicente, sempre presente no brasão de Lisboa — o barco e os dois corvos, carinhosamente chamados de Vicentes, que, reza a lenda, acompanharam as suas relíquias quando chegaram à nossa costa.
E há Santo António.

Santo António nasceu aqui, em Lisboa. Em jovem, envergou a armadura de soldado. Mas um chamamento mais forte ecoou dentro de si, uma vocação serena e persistente. Deixou a espada e escolheu a vida de pobreza, simplicidade e entrega. Tornou-se frade franciscano, caminhando de aldeia em aldeia, pregando não só palavras, mas esperança.

Os seus sermões tornaram-se lendários, cheios de sabedoria e compaixão. Conta-se, até, que um dia, quando os homens já não o queriam ouvir, virou-se para os peixes,  acreditando que eles o escutariam melhor do que aqueles que recusavam mudar. Em Lisboa, ainda hoje dizemos que alguém está “a falar para os peixes” quando as suas palavras chegam a ouvidos que não escutam.

Apesar de ter falecido longe da sua terra, em Pádua, Itália, onde é conhecido como Santo António de Pádua, para nós, será sempre Santo António de Lisboa. Nosso. Filho desta cidade, cuja capela continua de pé, perto do lugar onde nasceu.

Para além das palavras, o coração de Santo António sempre pertenceu aos pobres e aos que perderam o rumo. Até hoje, pedimos a sua ajuda para encontrar o que se perdeu — sejam objetos, caminhos ou até o amor. Diz-se que ele escuta todos os que o chamam.

E há ainda os pequeninos pãezinhos de Santo António, pequenos pães abençoados e vendidos na sua capela a 13 de Junho. Guardados envoltos num lenço e em local escuro durante um ano, não ganham bolor. As moedas recolhidas com a sua venda, como sempre, destinam-se aos pobres, aqueles que Santo António nunca esqueceu.

Os seus milagres, a sua bondade, o seu amor por Lisboa, vivem em cada geração que, ano após ano, se reúne debaixo deste mesmo céu para o celebrar.

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