A Walk to the Market and a Surprise by the Pond

Even after a few years living on this side of the Atlantic, closer to the pulse of bigger cities, I still find myself quietly amazed by the small, unexpected encounters tucked into my otherwise predictable routine.

Today, I decided to walk to our neighborhood’s small market. It’s a simple thing—walking—but one I used to master with intention and grace. And I miss it. There’s something about walking that shifts your awareness. You begin to notice things again. The world reveals itself not just as a backdrop, but as a living painting—full of color, care, and quiet love. Someone’s flowerpot arrangement, a whimsical wind chime on a porch, a bird’s call you hadn’t heard before. You smile, without even realizing.

One my way to the Market

As I made my way, I passed by the neighborhood pond, a familiar part of my route and home to the usual guardians—ducks and geese who seem to know every regular visitor by heart. But today, someone new had joined them. Standing tall, elegant, and entirely unexpected: a heron.

A heron! Right there, in our quiet little pond, just a few blocks from home.

Heron

Where I used to live—in a major city—these kinds of encounters with life rarely happened. Unless you went out of your way to visit a park or a zoo, nature stayed in the background. It wasn’t part of your daily rhythm. But here, it finds you when you least expect it.

Did I ever imagine I’d cross paths with a heron on my way to the market? Not really. But that’s the quiet magic of paying attention. Of walking. Of letting the world surprise you.

By the pond
Mindful of the sign, the geese politely stay out of the water.


By the time I arrived at the market, my mind was already wide awake. The market is very small—it runs just once a month—but it’s filled with charm. Local vendors set up their stands: farmers with baskets of fresh produce, others with armfuls of flowers or trays of baked goods still warm from the oven. Local artisans bring their handmade creations, each piece telling a little story of time, care, and love.

My neighborhood is special, full of quiet wonder. And sometimes, in these simple moments—walking to the market, catching sight of a heron, exchanging smiles with familiar faces—I feel something deep and unexpected. I belong here. Not just in the casual sense of living here, but in a more tender, personal way. This is where I’m meant to be right now. This is where I’m supposed to heal. This is where I’m meant to grow.

In a quiet, surprising way—I belong.

A handmade treasure from the market

Um Passeio até ao Mercado e uma Surpresa Junto ao Lago

Uma das ruas do meu bairro

Mesmo depois de alguns anos a viver deste lado do Atlântico, mais perto do ritmo das grandes cidades, continuo a surpreender-me com os pequenos encontros inesperados que se escondem na minha rotina previsível.

Hoje decidi ir a pé até ao pequeno mercado do nosso bairro. Caminhar é algo simples — mas em tempos foi uma arte que eu dominava com intenção e leveza. E, para ser sincera, tenho saudades disso. Caminhar muda a forma como vemos o mundo. Começamos a reparar nas coisas novamente. O mundo deixa de ser apenas pano de fundo e passa a revelar-se como uma pintura viva, cheia de cor, de cuidado, de amor silencioso. Um vaso de flores cuidadosamente colocado, um sino de vento pendurado numa varanda, o canto de um pássaro que nunca tínhamos ouvido. E, sem darmos conta, sorrimos.

Obedientes às regras escritas no aviso, os gansos mantêm-se fora da água
Os gansos, nossos vizinhos

Ao passar junto ao lago do bairro, um ponto familiar no caminho e lar dos habituais guardiões, patos e gansos que parecem conhecer cada visitante regular, algo novo chamou a minha atenção. Um novo visitante, imponente e elegante: uma garça.

Uma Garça

Uma garça! Mesmo ali, no nosso lago tranquilo, a poucos quarteirões de casa.

No sítio onde vivia antes, numa grande cidade, este tipo de encontros com a vida eram raros. A menos que se fosse de propósito a um parque ou a um jardim zoológico, a natureza ficava sempre em segundo plano. Não fazia parte do nosso dia a dia. Mas aqui, ela aparece e surpreende-nos.

Alguma vez imaginei cruzar-me com uma garça a caminho do mercado? Nem por sombras. Mas essa é a magia discreta de estar presente, de caminhar, de deixar o mundo surpreender-nos quando menos esperamos.

Flores compradas no mercado

Quando cheguei ao mercado, a minha mente já estava desperta e cheia de vida. O mercado é muito pequeno, acontece apenas uma vez por mês, mas está cheio de encanto. Os vendedores locais montam as suas bancas: agricultores com cestos de legumes frescos ou ovos, outros com ramos de flores ou tabuleiros de bolos ainda mornos. Os artesãos do bairro trazem as suas criações feitas à mão, cada peça contando uma pequena história de tempo, dedicação e amor.

Pequeno-almoço/ Breakfast


O meu bairro é especial, cheio de maravilhas silenciosas. E, por vezes, nestes momentos tão simples, uma caminhada até ao mercado, o avistar de uma garça, os sorrisos partilhados com rostos conhecidos, sinto algo profundo e inesperado. Sinto que pertenço aqui. Não apenas no sentido casual de aqui viver, mas de uma forma mais íntima e pessoal. É aqui que devo estar agora. É aqui que preciso de me curar. É aqui que estou destinada a crescer.

De uma forma tranquila e surpreendente sou invadida por este sentimento de pertença.

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