Have you ever stood outside a window and tried to see what was happening inside?
Perhaps there is someone in the room. You are curious about them. You want to understand who they are, what their world looks like, what exists on the other side of the glass.
But whether you can actually see them depends on the light.
When the room is illuminated and the world outside is darker, the window almost disappears. You can see through it. You can see the room, the furniture, perhaps the person sitting quietly inside.
But when the light outside is stronger than the light within, something else happens.
The glass becomes a mirror.
Instead of seeing the person inside, you begin to see yourself.
Your own face. The street behind you. The world around you. Your own reflection laid over the room you were trying to see.
And perhaps this happens with people more often than we realize.
We approach someone because we want to know them. We want to understand them, their choices, their silences, their way of loving, their way of being in the world.
But sometimes we bring so much light with us that we never really see what is on the other side.
Our experiences illuminate the glass.
Our expectations illuminate it.
Our fears.
Our memories.
Our beliefs about how people behave.
Our own way of loving and being loved.
And suddenly, instead of seeing the person, we see a reflection of ourselves over them.
We may believe we understand what we are looking at, when what we are really seeing is what we brought with us.
That is the strange thing about reflections: they can be completely real and still not tell us the whole truth.
The person is still there, behind the glass.
We simply cannot see them yet.
Perhaps that is why knowing another person requires something more than looking.
It requires allowing their light to be stronger than our own.
We have to give them the chance to illuminate their own room. To show us what is there, rather than filling the glass with our assumptions about what must be there.
We have to stand quietly enough for their light to reach us.
And sometimes, that means stepping back.
Not because we care less.
But because we want to see more clearly.
Because if all the light comes from us, all we will ever see is our own reflection.
To truly know someone, we have to let them turn on their own light.
And then, perhaps, the window disappears.
There is no reflection between us anymore.
There is simply a person on the other side, finally visible.

Luz Através de uma Janela
Há qualquer coisa de curioso numa janela.
Quando estamos na rua e olhamos para dentro, pensamos que estamos a ver o que se passa no interior da casa.
Procuramos uma pessoa, um movimento, um pequeno pormenor que nos permita perceber quem vive naquele espaço.
Mas nem sempre conseguimos ver.
Tudo depende da luz.
Se dentro da casa houver mais luz do que na rua, o vidro quase deixa de existir. Podemos olhar através dele e descobrir o que está do outro lado. Mas, se a luz cá fora for mais forte, a janela transforma-se num espelho e, de repente, aquilo que vemos já não é a vida que procurávamos. Somos nós.
O nosso rosto. A rua onde estamos. O que trazemos connosco.
E talvez aconteça exactamente o mesmo quando tentamos conhecer alguém.
Queremos compreender uma pessoa, mas chegamos até ela tão carregados de tudo aquilo que já vivemos, das nossas experiências, das nossas expectativas, dos nossos receios e das nossas certezas, que, sem darmos por isso, começamos a olhar para aquela pessoa através da nossa própria luz.
Interpretamos os seus gestos à luz daquilo que conhecemos. Damos significado aos seus silêncios. Procuramos explicações onde talvez ainda não existam. Reconhecemos padrões porque já os vimos antes, em nós próprios, na nossa vivência.
E quanto mais forte for a nossa luz, mais facilmente confundimos o reflexo com aquilo que está do outro lado.
É uma coisa curiosa: podemos olhar directamente para alguém e, ainda assim, não o vermos verdadeiramente.
Porque aquilo que estamos a ver pode ter tanto de nós como da pessoa que temos à nossa frente.
O vidro não está a mentir. O reflexo existe. Somos mesmo nós que ali estamos.
Mas não o outro, não a outra pessoa que procurávamos conhecer. Essa ontinua do outro lado, escondida pelo nosso trflexo no vidro.
Talvez seja por isso que conhecer alguém exija também saber recuar um pouco. Não para nos afastarmos, mas para deixarmos de ocupar todo o espaço com a nossa própria luz.
Precisamos de permitir que o outro se mostre, que a sua luz brilhe.
Que nos revele aquilo que ainda não conhecemos. A sua maneira de sentir, de pensar e de estar no mundo ..
Talvez seja isso que significa verdadeiramente ver alguém: não decidir antecipadamente o que vamos encontrar, mas dar-lhe espaço para nos mostrar quem é.
Às vezes, basta mudar de posição diante da janela.
Esperar que a luz mude.
E então aquilo que parecia ser apenas o nosso reflexo começa a desaparecer. O vidro torna-se novamente transparente e conseguimos, finalmente, distinguir a pessoa que estava ali desde o princípio.
Talvez as pessoas sejam um pouco assim.
Não precisamos sempre de trazer mais luz.
Às vezes, precisamos simplesmente de apagar a nossa por um momento.
E deixar que a luz do outro lado nos mostre aquilo que, até então, não conseguíamos ver.

