by Smores
Oh… my… whiskers.
I am quite certain you have already heard the theatrical retelling of The Great Tornado That Wasn’t—courtesy of Mr. Jack Black, who, in my most honest opinion, was born for the stage… not for a quiet domestic life.

I, on the other paw, was in a different room. Alone. The warning roused them from sleep. I became aware of the situation, as one does, from across the house, from my room. Calmly. Without theatrics.
Yes, the sky shifted.
Yes, the wind picked up.
But let us be sensible—nothing, nothing, pointed to an actual tornado.
We know these things. We feel them. The signs are ancient and unmistakable: the scent of the air, the pressure against our whiskers, the subtle language of the Earth itself.
She warns.
She shelters.
She does not whisper nonsense.
But Jack? Oh no. Jack announces.
And not gently. Not discreetly.
No—loudly. Repeatedly. With feeling.
Now, I will say this: I did not particularly enjoy being placed inside that… contraption. However, I understand Mama’s reasoning. She could not possibly carry us both if something truly serious had happened.
So—into the backpack I went, while His Theatrical Highness occupied the carrier.
Mama means well. She is dear.
But she is not one of us—her senses are not quite as refined. She is… human, you know.
So I waited. Patiently. Gracefully.
And I hoped—truly hoped—that Jack might gather himself and inform Mama that there was, in fact, no danger.
Did he?
…Of course not.
He continued—complaining, projecting, escalating—his voice climbing ever higher, like an opera singer who had misplaced both the aria and the plot. I confess… I could not help but laugh. Just a little. It was, after all, a performance.
Eventually, I intervened.
I asked him, kindly, but firmly, to end the dramatics.
He did not. Not immediately.
At this point, Mama grew concerned. For me.
Which is understandable. I do not speak often. I do not need to. We understand one another, soul to soul, presence to presence.
Still, amid all the noise—the phone, the television, the wind, and Jack—she worried.
So I clarified.

I am the voice of reason in this house.
The guardian. The grounded one.
I do not waver at the whisper of chaos, especially when it is, quite clearly, not chaos at all.
And just like that…
the noise faded.
The world settled.
The moment passed.
We returned to our places. Our duties. Our dignity.
Because, as I always say,
if you cannot improve the situation… simply remove yourself from it.
Now, if you’ll excuse me, I have important supervisory duties to attend.
O Grande e Desnecessário Drama Acerca do Tornado
por Smores
Oh! Pelos meus bigodes!
De certeza que já ouviram o relato teatral de O Grande Tornado Que Não O Foi, cortesia do Sr. Jack Black, o gato que, na minha mais honesta opinião, nasceu para o palco e não para uma vida doméstica tranquila.

Eu encontrava-me noutra divisão. Sozinha. O alerta acordou a Mamã e o Jack de uma sesta. Eu apercebi-me da situação, a partir do outro lado da casa, do meu quarto. Calmamente. Sem teatralidades.
Sim, o céu alterou-se.
Sim, o vento levantou-se.
Mas sejamos sensatos, nada, absolutamente nada, apontava para um tornado real.
Nós gatos sabemos estas coisas.
Nós sentimo-las.
Os sinais são ancestrais e inconfundíveis: o cheiro do ar, a pressão nos bigodes, a linguagem subtil da própria Terra.

Ela avisa.
Ela protege. Não sussurra disparates.
Mas o Jack? Oh, não. O Jack anuncia.
Não com delicadeza. Nem com discrição.
Não, anuncia em voz alta. Repetidamente. Com emoção.
Honestamente, não apreciei particularmente ser colocada dentro daquela… engenhoca. Ainda assim, compreendo a Mamã. Ela nunca conseguiria levar-nos aos dois so colo, caso algo sério acontecesse. Assim eu fui colocada na mochila, enquanto Sua Alteza Teatral ocupava a caixa transportadora.
A Mamã tem boas intenções. É uma querida.
Mas não é uma de nós, os seus sentidos não são tão apurados. É… humana.
Por isso, esperei. Pacientemente. Com elegância.
E esperei sinceramente que o Jack se recompusesse e informasse a Mamã de que, de facto, não havia perigo.
Mad fê-lo?!
…Claro que não.
Continuou queixoso, expansivo, em crescendo, com a voz a subir cada vez mais alto, como um cantor de ópera que se perdeu tanto na ária como no enredo. Confesso que não consegui evitar uma ou duas gargalhadas. Foi indiscutivelmente um espetáculo.
Finalmente decide intervir.
Pedi-lhe com gentileza, mas firmeza que terminasse com o drama.
Não o fez. Não de imediato.
Foi então que a Mamã começou a ficar preocupada comigo.
O que é compreensível. Eu não falo muito. Não preciso. Eu e ela entendemo-nos de outra forma: alma com alma, presença com presença.
Ainda assim, no meio de todo o ruído—o telemóvel, a televisão, o vento lá fora e o Jack—ela preocupou-se.
Por isso, esclareci-a de que estava tudo bem.
Eu sou a voz da razão nesta casa.
A guardiã. A que mantém os pés assentes na terra.
Não vacilo ao mais leve sussurro de caos, especialmente quando não, claramente, caos.

E, assim, de repente…
o ruído dissipou-se.
O mundo acalmou.
O momento passou.
Voltámos aos nossos lugares. Às nossas funções. À nossa dignidade.
Porque, como eu costumo dizer,
se não podes melhorar a situação… simplesmente afasta-te.
Agora, desculpem-me mas tenho importantes deveres de supervisão à minha espera.

