I Do Not Snore

(A Statement by Smores, Household Authority)

I would like to begin by correcting a rumor. I do not snore.

Let us be very clear about this. I am a creature of refinement, of silence, of elegance. My footsteps are inaudible. My presence is felt, not heard. Even my thoughts, I suspect, move through the world with a certain quiet grace.

Which is why what happened the other night was… deeply concerning.

I was resting—not sleeping, resting—in a perfectly executed loaf. Paws tucked, spine aligned, chin placed at an angle that suggested both authority and softness. Everything was as it should be.

And then,

snrk.

I opened one eye.

I did not move. I simply observed. Silence returned. Good. I closed my eye again.

snrk.

Both eyes opened this time.

Slowly, very slowly, I lifted my head and scanned the room. No movement. No intruders. No Jack (thankfully). Mama was still. The house was behaving. And yet… the sound had occurred.

Once more, I settled back into position. I waited.



snrk.

I froze.

I did not breathe. I did not blink. I did not exist. Because in that moment, I understood.

The sound… had come from me.

Now, before you jump to conclusions, let me clarify. This was not snoring. This was a temporary atmospheric irregularity. A brief vibration of air. A structural nuance of sleep. It is not a pattern, not a habit, and certainly not a trait. It was an incident.

Still, as a responsible ruler of this household, I took immediate action.

I adjusted my loaf. Chin slightly elevated—no, too exposed. Lower—no, too compressed. Neutral. Neutral was safe. I repositioned one paw, then the other, carefully balancing airflow, stabilizing posture, restoring order. I closed my eyes and waited.

Nothing.

Excellent.

Control had been restored.

…until it hadn’t.

snrk.

I sat up.

This was no longer an incident. This was a situation.

Naturally, I did what any rational being would do. I went for a snack. If one is awake, one might as well nourish the body. A few bites—measured, intentional, not emotional. This was strategy. A reset.

I returned to my post, reassembled the loaf, and closed my eyes. All was well. For a time.

There is, however, an additional layer of complexity to this matter. Jack.

Jack, who sleeps belly-up like a creature with no awareness of dignity. Jack, who makes his own… sounds. Jack, who must never, under any circumstances, become aware of this.

Because while he may snore—and he does, quite freely—I do not. I cannot. It would disrupt the balance of power.

So measures have been implemented. Immediate awakening upon any… vibration. Strategic snacking to interrupt sleep cycles. Strict loaf alignment standards. Increased environmental awareness. Absolute denial.

If questioned, I will attribute any perceived sound to the house, the wind, or Jack. Especially Jack.

In conclusion, I do not snore. I simply experience occasional nocturnal acoustics.

And if you believe otherwise—

you are mistaken.

— Smores,
Household Authority,
Unquestionably Silent Queen

Eu Não Ressono

(Uma declaração de Smores, Autoridade Doméstica)

Gostaria de começar por corrigir um rumor. Eu não ressono.

Que isto fique bem claro!

Sou uma criatura de requinte, de silêncio, de elegância. Os meus passos são inaudíveis. A minha presença sente-se, não se ouve. Até os meus pensamentos, suspeito, atravessam o mundo com uma certa graça silenciosa.

E é por isso que o que aconteceu na outra noite foi… profundamente preocupante.

Eu estava a descansar (não a dormir, a descansar) numa posição perfeita de pãozinho de forma: Patas recolhidas, coluna alinhada, queixo colocado num ângulo que sugeria simultaneamente autoridade e suavidade. Tudo estava como devia estar.


E foi então que ouvi:

snrk!

Abri um olho.

Não me mexi. Limitei-me a observar. O silêncio regressou.  Fechei o olho novamente.

snrk!

Desta vez, abri os dois olhos.

Lentamente, muito lentamente, levantei a cabeça e observei a divisão. Tudo calmo. Sem intrusos. Sem o Jack (ainda bem). A Mamã estava imóvel. Nenhum ruído dentro de casa. E, no entanto… o som tinha acontecido.


Voltei a acomodar-me na minha posição. Esperei.

snrk!

Congelei.

Não respirei. Não pisquei. Não existi. Porque, naquele momento… compreendi.

O som… tinha vindo de mim.

Agora, antes de tirarem conclusões, deixem-me esclarecer. Isto não foi ressonar. Foi uma irregularidade atmosférica temporária. Uma breve vibração do ar. Uma nuance estrutural do sono. Não é um padrão, não é um hábito e, certamente, não é uma característica. Foi um incidente.

Ainda assim, como responsável autoridade desta casa, tomei medidas imediatas.

Ajustei a minha posição: queixo ligeiramente elevado, não, ficaria demasiado exposto. Mais baixo, não, demasiado comprimido. Neutro. O neutro é seguro. Reposicionei uma pata, depois a outra, equilibrando cuidadosamente o fluxo de ar, estabilizando a postura, restaurando a ordem. Fechei os olhos e esperei.

Nada.

Excelente.

O controlo tinha sido restabelecido.

…até deixar de estar.

snrk!

Sentei-me.

Isto já não era um incidente. Era uma situação.

Naturalmente, fiz o que qualquer ser racional faria. Fui comer qualquer coisa. Se estamos acordados, mais vale alimentar o corpo. Algumas dentadas, bem medidas, intencionais, nada emocionais. Isto foi estratégia. Um reinício.

Voltei ao meu posto, recompus a minha posição de pãozinho e fechei os olhos. Tudo estava bem. Durante algum tempo.


Existe, no entanto, uma camada adicional de complexidade nesta questão. O Jack.

O Jack, que dorme de barriga para cima como uma criatura sem qualquer noção de dignidade. O Jack, que faz os seus próprios… sons. O Jack, não pode, sob circunstância alguma, tomar conhecimento disto.

Porque, enquanto ele pode ressonar (e fá-lo, sem qualquer pudor) eu não. Eu não posso. Isso iria perturbar o equilíbrio de poder.

Por isso, foram implementadas medidas. Despertar imediato perante qualquer… vibração. Snacks estratégicos para interromper ciclos de sono. Rigor absoluto no alinhamento da postura. Maior vigilância ambiental. Negação total.

Se for questionada, atribuirei qualquer som à casa, ao vento, ou ao Jack. Especialmente ao Jack.



Em conclusão, eu não ressono. Apenas sofri ocasionais fenómenos acústicos noturnos.

E se acreditam no contrário…

estão enganados!

Smores,
Autoridade Doméstica,
Rainha Inquestionavelmente Silenciosa

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