Tonight Mommy came home late again.
Lately, she leaves when the world still smells like dew and coffee and returns only after the light outside has softened into evening gold. Humans call this “making a living,” but from my personal observations, it mostly appears to involve traffic, exhaustion, and an alarming lack of timely supper service.

I do not fully understand it.
When the front door opened, Smores immediately began her formal evening interrogation from the hallway while I conducted vocal support operations from my room.
Where were you?
Why are you late?
Are you alright?
Did the outside world behave appropriately?
And most importantly…
did you bring snacks?
Mommy answered us both at once, as humans somehow always attempt to do, with many words, tired smiles, forehead kisses, and apologies drifting from room to room like little paper boats.
Normally, Mommy handles our litter boxes and supper immediately upon arriving home. But tonight something unusual happened.
She went into the kitchen first.
At first, Smores and I were deeply concerned.
Then the scents arrived.
Warm.
Rich.
Silvery.
Ocean-scented.
Salmon.

Suddenly the entire household atmosphere changed.
From my room, I increased vocal encouragement to help move operations along efficiently while Smores conducted close-range supervision throughout the house. She followed Mommy with great seriousness, though I later heard she nearly got herself accidentally locked in a room during the mission. Sacrifices are sometimes necessary in the pursuit of excellence.
At long last, supper was served.
And because we are refined indoor creatures and not tiny lawless goblins living beneath a pier somewhere, we expressed our gratitude properly.
Smores offered affectionate inspections, supervisory presence, and elegant companionship while conducting her evening patrol of the screened porch and monitoring the night scents drifting through the air.
As for me, once Mommy opened my door, I followed her around the house with tremendous enthusiasm. I accepted the salmon with deep emotional appreciation, delivered one of my official guttural announcements to inform the household of its success, and proceeded to march briskly around the house like a tiny furry landowner personally inspecting the estate.
The salmon stirred something noble within me.

I checked corners.
I inspected windows.
I reviewed hallway conditions.
I followed Mommy repeatedly to ensure she understood how valued she was.
Only after I was satisfied that supper had been honored properly, Mommy was safely home, and the household remained secure did I retire to my beloved basement headquarters for important private matters and digestive reflection.
Smores would now like to submit her own official statement:
“My vocal observations were not complaints. They were loving managerial concerns delivered with elegance and restraint.
Mommy came home late. Naturally I was worried. Someone in this household must monitor human wellbeing and emotional stability.
The salmon service, however, was excellent. Moist, fragrant, delicately prepared, and free from barbaric seasoning choices. The olive oil drizzle showed maturity and self-control.
Following dinner, I conducted my routine evening patrol of the screened porch, reviewed the atmospheric scent conditions, monitored suspicious moth activity, and retired gracefully to my chambers before the staff.
Because unlike certain dramatic black cats, I understand the importance of dignity, mystery, and pacing oneself.”
— Smores

Agradecimento
Hoje a Mamã chegou tarde outra vez.
Ultimamente sai quando o mundo ainda cheira a orvalho e café e só regressa quando a luz lá fora já ficou dourada e cansada. Os humanos chamam a isto “ganhar a vida”, mas, pelas minhas observações pessoais, parece envolver sobretudo trânsito, exaustão e uma alarmante falta de pontualidade no serviço de jantar.

Não compreendo totalmente o conceito.
Assim que a porta da frente se abriu, a Smores iniciou imediatamente o seu interrogatório formal do serão a partir do corredor, enquanto eu conduzia operações de apoio vocal a partir do meu quarto.
Onde estiveste?
Porque chegaste tarde?
Estás bem?
O mundo lá fora comportou-se como devia?
E mais importante de tudo…
trouxeste comidinha e guloseimas?
A Mamã respondeu-nos aos dois ao mesmo tempo, como os humanos misteriosamente tentam fazer, com muitas palavras, sorrisos cansados, festinhaa na cabeça e desculpas a flutuar de divisão em divisão como pequenos barcos de papel.
Normalmente, a Mamã trata das nossas caixas de areia e do jantar assim que chega a casa. Mas hoje aconteceu algo invulgar.
Foi primeiro para a cozinha.
Ao início, eu e a Smores ficámos profundamente preocupados.
Depois chegaram os aromas.
Quentes.
Ricos.
Prateados.
Com cheiro a oceano.
Salmão.

De repente, toda a atmosfera da casa mudou.
Do meu quarto, aumentei os incentivos vocais para ajudar a acelerar as operações de forma eficiente, enquanto a Smores conduzia a supervisão de proximidade pela casa inteira. Mais tarde ouvi dizer que quase ficou acidentalmente trancada numa divisão durante a missão. Sacrifícios são por vezes necessários na busca pela excelência.
Finalmente, o jantar foi servido.
E, porque somos criaturas refinadas de interior e não pequenos goblins sem lei a viver debaixo de um cais qualquer, demonstrámos a nossa gratidão como deve ser.
A Smores ofereceu inspecções afectuosas, supervisão e companhia enquanto fazia a sua ronda noturna na varanda coberta e monitorizava os aromas da noite que viajavam pelo ar.
Quanto a mim, assim que a Mamã abriu a minha porta, segui-a pela casa com enorme entusiasmo. Aceitei o salmão com profunda admiração e emoção, emiti um dos meus anúncios guturais oficiais para informar a casa do sucesso da operação e comecei imediatamente a marchar como um pequeno proprietário peludo a inspeccionar pessoalmente a propriedade.
O salmão despertou algo de nobre dentro de mim.
Verifiquei cantos.
Inspecionei janelas.
Revisei as condições dos corredores.
Segui a Mamã repetidamente para garantir que ela compreendia o quanto era valorizada.
Só depois de me certificar de que o jantar tinha sido devidamente honrado, de que a Mamã estava finalmente em segurança em casa e de que a propriedade permanecia protegida contra perigos invisíveis é que me retirei para o meu querido quartel-general na cave, para tratar de assuntos privados muito importantes e reflectir sobre a digestão.
A Smores gostaria agora de apresentar a sua declaração oficial:
“As minhas observações vocais não eram queixas. Eram preocupações de gestão afetuosas, entregues com elegância e contenção.
A Mamã chegou tarde. Naturalmente fiquei preocupada. Alguém nesta casa tem de supervisionar o bem-estar humano e a estabilidade emocional.

Quanto ao serviço de salmão, esteve excelente. Húmido, aromático, delicadamente preparado e livre de escolhas bárbaras de temperos. O fio de azeite demonstrou maturidade e autocontrolo.
Após o jantar, efectuei a minha ronda habitual no alpendre de trás, analisei os cheiros soltos da noite, monitorizei atividades suspeitas relacionadas com traças e retirei-me graciosamente para os meus aposentos antes do staff.
Porque, ao contrário de certos gatos pretos dramaticamente emocionais, eu compreendo a importância da dignidade, do mistério e de saber manter a compostura.”
— Smores

