Sunday Dinner

Food, conversation, and love were always served at Sunday dinner.

Some days feel lonelier than others, but Sunday evenings remain the most difficult for me.

I never understood the feeling of dreading Monday mornings. Perhaps that was because of our Sunday dinners. They were a peculiar way to end the weekend, yet they somehow softened the beginning of a new week. There was no heavy silence, no sense of nostalgia, no feeling that something good was ending.

Instead, the conversation would drift through the events of the weekend. A drive through the countryside. A walk. A visit with family. The sermon at church. Small moments that, when gathered around a table, became something larger than themselves.

It never felt like an ending.

It felt like packing a suitcase for the week ahead.

Those meals were not a farewell to the weekend but a preparation for what was to come. They were a reminder that whatever Monday brought, we would carry a little of each other with us.

Now, years later, Sunday dinner feels different.

How strange it is to dine with ghosts.

And yet, perhaps “ghosts” is not quite the right word.

What does it mean when someone remains so vividly alive in our hearts that we still imagine them beside us at the table? When we can almost hear their voice in a conversation, picture their smile during a walk, or instinctively save a place for them in a moment of joy?

Maybe that is not haunting at all.

Maybe it is love refusing to disappear.

So today, I am grateful for the ghosts I carry with me—the ones who still join me in quiet moments, who still appear in memories as naturally as if they had just stepped into the room.

They remind me that love does not end when a person is gone. It changes form. It settles into our stories, our habits, our Sunday dinners, and the countless ordinary moments that become sacred because they once shared them with us.

And for that, I am thankful.

Have a good week.



Jantar de Domingo

À mesa, servia-se comida, conversa e amor.

Há dias que parecem mais solitários do que outros, mas os Domingos ao final do dia continuam a ser os mais difíceis para mim.

Nunca compreendi muito bem aquela sensação de tristeza por o fim de semana estar a acabar e a Segunda-feira se aproximar. Talvez porque, na nossa casa, havia o jantar de Domingo.

Era uma forma muito peculiar de terminar a semana, mas ajudava-nos também a começar a seguinte. Não havia silêncio pesado, nem nostalgia, nem aquela sensação de que algo bom estava a chegar ao fim.

A conversa andava à volta do que tinha acontecido durante o fim de semana. Um passeio. Uma caminhada. Uma visita. O sermão da missa. Pequenos momentos que, reunidos à volta da mesa, ganhavam um significado maior.

Nunca parecia um fim.

Parecia antes um preparar da bagagem para a semana que vinha.

Aqueles jantares não eram uma despedida do fim-de-semana. Eram uma preparação para o que estivesse pela frente. Eram uma forma de recordar que, acontecesse o que acontecesse na Segunda-feira, levaríamos connosco um pouco uns dos outros.

Agora, tantos anos depois, o jantar de Domingo tem um sabor diferente.

Que estranho é jantar com fantasmas.

E, no entanto, talvez “fantasmas” não seja a palavra certa.

O que significa trazer alguém tão intensamente vivo no coração que o imaginamos connosco no momento presente? À mesa, numa refeição. Num passeio. Num lugar especial. O que significa quase ouvir a sua voz numa conversa ou imaginar o seu sorriso diante de uma paisagem bonita?

Talvez isso não seja uma assombração.

Talvez seja apenas a recusa do Amor em desaparecer.

Por isso, hoje, agradeço aos fantasmas que trago comigo no coração. Aqueles que continuam a sentar-se à minha mesa nos momentos mais silenciosos, que regressam através das memórias com uma naturalidade tão grande que, por instantes, parece que nunca partiram.

Lembram-me que o Amor não termina quando alguém parte. Apenas muda de forma. Instala-se nas nossas histórias, nos nossos hábitos, nos jantares de Domingo e em todos aqueles momentos simples que se tornam sagrados porque um dia foram partilhados.

E por isso, sou grata.

Boa semana. ❤️

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