Sardines, Santo António, and the Human Who Still Thinks She Runs This House

By Smores

I was enjoying a perfectly peaceful afternoon.

The sun was shining, the air was warm, and everything was exactly as it should be. My favorite spots had been inspected, my human had been properly supervised, and my nap schedule was proceeding beautifully.

Then… it happened.

“It is late! I need you to cook dinner!”

I slowly opened one eye.

Apparently, it was Santo António.

A very important day, according to my human. I heard words like Lisbon, celebration, and something about how we should have started yesterday because Santo António’s Eve is a very big event.



Humans have many traditions.

Cats have naps.

Personally, I believe we have the more refined approach.

But then…

I smelled it.

Sardines.

Now, I may not fully understand all these Lisbon celebrations, but I do understand that humans become extremely happy when food, memories, and a little bit of chaos are involved.

The plan was simple: salad, bread, grilled sardines outside… and, of course, the magical liquid humans call wine. They seem convinced it improves every occasion.

Dinner was going surprisingly well.

Until, naturally:

“I need to go pick some fresh oregano for the salad. Would you come with me?”

Humans always say “please,” as if it makes their requests less demanding. It does not.

I looked at her.

I considered the request.

And I gracefully remained exactly where I was.

A queen must maintain her standards.

Finally, dinner arrived.



But apparently, there was another important Santo António rule:

“Tonight, the sardines are eaten on a slice of bread!”

I watched quietly.

Humans and their traditions…

But I must admit — there is something quite charming about a little piece of home following you wherever you go.

Even far away from Lisbon.
Even years later.
Even under different skies and in a different garden.

Some flavors, songs, and memories always find their way back.



And then there was the singing.

And the dancing.

All day long.

The Marchas Populares.

A little more enthusiasm than my delicate feline ears usually request. Jack, of course, decided he was part of the performance and sang along. He always believes he has been personally invited to every event.

I have to admit…

I had forgotten how wonderfully noisy she becomes when she is truly happy.

And perhaps the house needed a little of that.

A little laughter.
A little music.
A little Lisbon magic.

I don’t mind the good energy.

But tomorrow, I do hope we return to a more dignified level of household volume.

Now excuse me.

I have important matters to attend to: ensuring everyone remembers who the true queen of this house is.

— Smores

Sardinhas, Santo António e a Humana que Ainda Acha que Comanda Esta Casa


Por Smores

Estava a desfrutar de uma tarde perfeitamente tranquila.

O sol brilhava, o ar estava quente e tudo estava exatamente como deveria estar. Os meus lugares favoritos já tinham sido inspecionados, a minha  humana devidamente supervisionada e o meu horário de sesta a decorrer com toda a precisão.

Então… aconteceu.

“Já é tarde! Preciso que faças o jantar!”

Abri lentamente um olho.



Aparentemente, era Santo António.

Um dia muito importante, segundo a minha humana. Ouvi palavras como Lisboa, celebração e algo sobre o facto de devíamos ter começado ontem porque a véspera de Santo António é uma ocasião muito séria.

Os humanos têm muitas tradições.

Os gatos têm sestas.

Pessoalmente, continuo a achar o nosso sistema muito mais elegante.

Mas depois…

Cheirou-me.

Sardinhas.

Agora, posso não perceber completamente estas celebrações lisboetas, mas percebo perfeitamente que os humanos ficam extremamente felizes quando há comida, memórias e um pouco de caos envolvido.



O plano era simples: salada, pão, sardinhas grelhadas lá fora… e, claro, o líquido mágico que os humanos chamam vinho. Estão convencidos de que melhora qualquer ocasião.

O jantar estava a correr surpreendentemente bem.

Até que, naturalmente:

“Preciso de ir buscar orégãos frescos para a salada. Queres vir comigo?”

Os humanos acrrscentam sempre um “por favor”, como se isso tornasse os pedidos menos exigentes. Não torna.

Olhei para ela.

Considerei o pedido.

E permaneci graciosamente onde estava.

Uma rainha mantém os seus padrões.

Finalmente, o jantar chegou.


Mas aparentemente havia outra regra importante de Santo António:

“Hoje as sardinhas comem-se em cima de uma fatia de pão!”

Observei em silêncio.

Os humanos e as suas tradições…

Mas tenho de admitir, há qualquer coisa de encantador num pequeno pedaço de casa que acompanha os humanos onde quer que vão.

Mesmo longe de Lisboa.
Mesmo depois de tantos anos.
Mesmo sob céus diferentes e num jardim diferente.


Alguns sabores, músicas e memórias encontram sempre o caminho de volta.

E depois veio o canto.

E a dança.

O dia inteiro.

As Marchas Populares.

Um entusiasmo ligeiramente acima do que os meus delicados ouvidos felinos consideram necessário. O Jack, claro, decidiu que fazia parte do espetáculo e juntou-se ao canto. Ele acha sempre que foi pessoalmente convidado para todos os eventos.

Tenho de admitir…

Já tinha quase esquecido o quão maravilhosamente barulhenta ela fica quando está verdadeiramente feliz.

E talvez a casa precisasse mesmo disso.

Um pouco de riso.
Um pouco de música.
Um pouco de magia lisboeta.

Não me importo com a boa energia.

Mas amanhã, espero que regressemos a um nível mais digno de ruído doméstico.

Agora, com licença.

Tenho assuntos importantes a tratar: garantir que todos se lembram de quem é a verdadeira rainha desta casa.

— Smores

Leave a comment